Combate

'Isso é uma guerra, que não tenho dúvida que vamos vencer'

O governador citou investimentos em aparelhamento para dar respostas ao crime organizado

01:00 · 26.03.2018
Camilo
O governador disse que o Ceará tem feito sua parte para frear as ações ( FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES )

Durante entrevista concedida, no Palácio da Abolição, ontem, o governador Camilo Santana, afirmou que as ações criminosas ocorridas no Ceará não ficarão sem resposta. O gestor disse também que o Estado vai continuar fazendo investimentos em Segurança e dará a resposta que a população cobra.

"Para cada ação criminosa ocorrida no Ceará, a resposta do Estado será reagir, punir, prender ou confrontar, como já aconteceu. A Polícia já prendeu seis pessoas envolvidas nos atentados contra os ônibus, matou três no confronto da Sejus. Essa vai continuar sendo a resposta do Estado. O que eu posso garantir é que nenhuma ação criminosa cometida aqui ficará sem resposta e sem punição. Essa é a garantia. E é por isso que a gente tem feito um investimento na Segurança Pública, aumentando o efetivo. São quase nove mil homens em três anos", afirmou.

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Santana citou uma série de investimentos que vem fazendo para o aparelhamento da Polícia, e poderão ajudar a melhorar a estrutura do Estado para dar resposta ao crime organizado. "Nenhuma Polícia no mundo vai dar resposta sem ter efetivo. É necessário também um investimento em tecnologias, e é o que estamos fazendo. Nenhum estado do Brasil terá tantas cidades acima de 50 mil habitantes com câmeras de monitoramento. É impossível ter policiamento em todo local. As câmeras servem para prevenção e para ajudar na identificação dos crimes".

O debate sobre as responsabilidades do desenvolvimento de ações contra o crime organizado tem sido uma constante nas falas públicas do governador, que afirma que o problema não é a estratégia de Segurança Pública do Estado. Para ele, o Governo Federal parece ter aberto os olhos para o problema.

"O crime ultrapassou as fronteiras dos estados. Por que as facções criminosas existem? Devido ao tráfico de drogas. De quem é a responsabilidade constitucional pelo tráfico de drogas? Não é do Estado, é da União. É do Governo Federal, que sempre foi omisso a isso. Este país não tem um plano. Nós estamos pagando um preço muito caro, e não é só o Ceará. O problema da violência é no País inteiro", afirmou.

Santana continuou dizendo que as medidas apresentadas pela União para frear a violência são de grande importância. "O Governo Federal criou o Ministério da Segurança Pública, está discutindo o Sistema Nacional de Segurança Pública, que é o que sempre defendemos: integrar as forças de Segurança do Estado em uma área, proteger as fronteiras do Brasil, combater o narcotráfico. Isso precisa de recursos, investimentos. É uma decisão política, e o Ceará está fazendo a sua parte com muita força", considerou.

Facções

Camilo Santana afirma que as ações das facções acontecem como uma reação ao trabalho da Polícia. "Nós nunca prendemos tanto no Ceará. Por que ameaçavam a Sejus? Porque é uma reação ao trabalho da Polícia. Não estou dizendo que as coisas estão resolvidas, pois é grave, é um desafio. Não vamos resolver este problema de um dia para a noite, pois é um processo, inclusive, de consequências sociais muito graves que este País tem".

A respeito das divisões de detentos dentro do Sistema Penitenciário, Santana afirmou que "cabe à Secretaria de Justiça controlar os presídios. A minha secretária tem toda autonomia para fazer o trabalho necessário para garantir a segurança do Sistema Penitenciário".

Bloqueio

No dia 3 de março o Poder Judiciário cearense, determinou o bloqueio de sinal de celular pelo Estado. Santana afirmou que estão trabalhando neste sentido. "Quem detém a tecnologia de bloquear o sinal são as operadoras de telefonia. Então, precisa-se responsabilizar as operadoras em relação a isso. Cobramos uma lei nacional, que já foi votada no Senado Federal, e está sob regime de urgência na Câmara dos Deputados, pois precisa ser implantada em todos os estados do Brasil".

O governador concluiu a fala sobre o bloqueio dizendo que é interesse do Estado a implantação dos equipamentos. "Não adianta o comando do PCC dá ordem lá de São Paulo, se lá não está bloqueado; não adianta o Comando Vermelho dá ordem lá do Rio de Janeiro, se lá também não está bloqueado. Todos os presídios do Brasil precisam ser bloqueados. O maior desejo de instalar os bloqueadores é do Estado, até porque há uma lei".

Ações criminosas

Moura Brasil - Ônibus incendiado na Avenida Leste-Oeste

Centro - Quatro ônibus incendiados; dois na Praça do Sagrado Coração de Jesus, um na avenida Imperador e um na rua Padre Mororó

Vila Velha - Ônibus incendiado na Avenida G

Jangurussu - Ônibus incendiado na Avenida Perimetral

Castelão - Um ônibus incendiado na Avenida Alberto Craveiro

Maracanaú - Veículo parcialmente queimado em frente ao 20° Distrito Policial

Cascavel - Incêndio no prédio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). Cerca de 50 veículos foram atingidos

Sobral - Tentativa de incêndio no prédio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops)

Jardim Iracema - Incêndio em uma torre de telefonia

Lagoa Redonda - Incêndio em uma torre de telefonia na Avenida Maestro Lisboa

Padre Andrade - Incêndio no prédio da Agência dos Correios

Serrinha - Incêndio no prédio da Secretaria Executiva Regional IV

Praia do Futuro - Um ônibus atingido por disparos

Grande Messejana - Um ônibus atingido por disparos no Conjunto Itamaraty

José Walter - Disparos em frente ao 18° Juizado Especial

Vila União - Disparos em frente à sede da Etufor

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