duplo homicídio

Inquérito sobre líderes do PCC deve ser finalizado em 19 dias

Investigações das mortes de 'Gegê do Mangue' e 'Paca' já tramitam há mais de 70 dias na Draco

01:00 · 09.05.2018 por Cadu Freitas - Repórter
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Os irmãos Cavalcante Cidrão e Francisco Cavalcante Cidrão Filho são suspeitos de lavarem o dinheiro dos chefes do PCC com aquisição de imóveis e veículos de luxo
Helicóptero
Segundo a investigação, o helicóptero usado no crime, sobrevoou o local e, momentos depois, série de disparos foram ouvidos. A aeronave foi apreendida em São Paulo, dias depois

A Junta de magistrados do Município de Aquiraz, responsável pelos julgamentos em primeira instância dos processos relativos às mortes de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca' - líderes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que foram assassinados no Ceará -, decidiu adiar o prazo para finalização do inquérito policial de maneira improrrogável.

Dos 30 dias solicitados, restam apenas 19 para que a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) conclua o inquérito instaurado a partir das mortes dos chefes da facção paulista. Um pedido de prorrogação de igual período já havia sido aprovado em março deste ano pelos mesmos juízes, mas findou em 22 de abril, sendo necessária a prorrogação. Ao todo, o processo já tomou mais de dois meses de investigação por parte da Draco. Agora, porém, se encaminha para a conclusão.

Até o momento, os policiais da Draco não conseguiram prender nenhum dos indiciados na morte dos líderes do PCC no Ceará, ocorrida em 15 de fevereiro deste ano. O duplo homicídio foi executado na reserva indígena Jenipapo Kanindé, em Aquiraz.

Segundo a investigação, um helicóptero sobrevoou o local e, momentos depois, uma série de disparos foram ouvidos. Tanto os atiradores, quanto 'Gegê' e 'Paca' estavam na aeronave e desembarcaram dela juntos. Os corpos dos dois líderes foram deixados em um matagal e os executores deixaram o local da mesma forma como chegaram - por meio de um helicóptero.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, o piloto do helicóptero, Felipe Ramos Morais, negou fazer parte da facção criminosa paulista e disse ter medo de estar jurado de morte; ele é um dos indiciados pela Draco em razão do duplo homicídio.

"Como piloto, presto serviços para vários empresários e nesse caso, eu era apenas um prestador de serviço ao senhor Wagner Ferreira da Silva (o 'Cabelo Duro', um dos líderes do PCC)", externou o piloto, ao dizer que o Estado não teria como garantir a sua integridade caso ele fosse preso, por isso, estava se "preservando" e não se escondendo.

Laranjas

Ao passo que a investigação da Draco sobre as mortes de 'Gegê do Mangue' e 'Paca' se encaminha para o fim, as pessoas apontadas como "laranjas" dos chefes da facção assassinados no Ceará continuam tendo problemas com a Justiça.

O desembargador Francisco Martônio Pontes de Vasconcelos, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) indeferiu uma liminar que poderia permitir a execução de habeas corpus a José Cavalcante Cidrão, para o qual há um mandado de prisão temporária em aberto. O mérito da questão ainda deve ser apreciado pelo Tribunal.

"Os autos trazem indícios do paciente, quanto à participação nos fatos que culminara com as mortes das vítimas, mostrando-se, nesse momento, necessária a custódia do paciente, para garantia da ordem pública", escreveu o desembargador sobre a manutenção da prisão temporária.

O irmão de José Cidrão, Francisco Cavalcante Cidrão Filho, ainda possui mandado de prisão temporário aberto contra si. As mulheres Magda Enoe de Freitas e Samara Pinheiro de Carvalho, também indiciadas, cumprem prisão domiciliar desde o início do mês passado.

Os irmãos Cavalcante são suspeitos de terem intermediado a compra de duas Range Rover, duas BMW e um Porsche Cayenne para 'Gegê' e 'Paca', além de ceder seus próprios nomes para a aquisição de imóveis de luxo na Capital cearense. A Justiça considera os dois foragidos.

Um condomínio na Lagoa do Uruaú, em Beberibe, no Litoral Leste do Estado, avaliado em R$ 1 milhão; uma casa no condomínio Alphaville Fortaleza (R$ 2 milhões) e uma no Alphaville Eusébio; além de um apartamento no bairro Cocó foram os imóveis adquiridos pela cúpula do PCC em nome dos irmãos Cavalcante; os dois últimos empreendimentos foram avaliados em R$ 3,3 milhões.

Moradores

Além de 'Gegê' e 'Paca', outros líderes da facção paulista também utilizavam a Capital para viver. Claudiney Rodrigues de Souza, o 'Cláudio Boy', dos dirigentes em Minas Gerais, morava em Fortaleza há mais de um ano. No entanto, ele foi preso em São Paulo dias depois do duplo homicídio na reserva indígena.

Além dele, Carlenilto Pereira Maltas, que seria um dos principais líderes do PCC no Ceará, vivia no Condomínio Royal Park, no bairro Edson Queiroz. Com 42 casas, quadra de tênis, piscina e academia, o complexo é de alto padrão na cidade. A Polícia Civil também investiga a participação de Carlenilto no crime em Aquiraz, pois ele seria uma das seis pessoas presentes no helicóptero que levava os chefes da organização criminosa.

Investigação

De acordo com as apurações realizadas pela Draco, o crime teria sido ordenado por Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho'. Contudo, teriam participado diretamente do duplo homicídio: Wagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro' (morto dias depois do crime, em São Paulo); Erick Machado Santos, o 'Neguinho Rick da Baixada'; Ronaldo Pereira Costa; André Luiz da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada'; José Tiago de Lima, o 'Tiririca'; e o piloto Felipe Ramos Morais.

Segundo a investigação, eles seriam ligados ao PCC e teriam chegado dois dias antes a Fortaleza para executar 'Gegê' e 'Paca'. Todos foram indiciados e, após a conclusão do inquérito policial, podem ser denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) e, caso a Justiça aceite as proposições, viram réus.

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