No Estado

Homicídios crescem mais de 20% no primeiro trimestre

01:00 · 31.03.2018

O número de mortes violentas não para de crescer no Ceará. O primeiro semestre deste ano atual terminará com um aumento superior a 20% no índice de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) - homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte - em comparação a igual período de 2017.

Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), pelo menos 1.203 pessoas foram vítimas de CVLIs, entre o dia 1º de janeiro de 2018 e 27 de março último, no Estado. Os registros do mês corrente ainda serão consolidados pelo setor de estatísticas da Pasta e a conta ficará ainda maior.

Já nos três primeiros meses do ano passado, foram registrados 976 CVLIs. O crescimento apresentado no ano atual, em comparação, é de ao menos 23,2%. Em um cenário de aumento da violência mês após mês, a Secretaria da Segurança tem o difícil objetivo de frear essa tendência e diminuir o número de 5 mil homicídios registrados no ano passado.

Janeiro de 2018 terminou com 482 mortes violentas, o que representou um aumento de 38,1%, em comparação a igual período de 2017, que teve 349 casos. Fevereiro deste ano encerrou com 362 registros, com aumento de 34,5%, já que o mesmo mês do ano passado teve 269 assassinatos. Março atual já somou 359 homicídios, até o dia 27 (último número da SSPDS), enquanto mês igual de 2017 fechou com 358 CVLIs.

Chacinas

Além do crescimento incontrolável do índice de CVLIs, a violência no Ceará vem repercutindo nacional e internacionalmente devido às chacinas recorrentes, neste ano.

Em três meses de 2018, quatro crimes cruéis deixaram 35 mortos. O triste número já é superior ao somatório de vítimas das chacinas registradas em todo o ano passado, quando 23 pessoas foram assassinadas em cinco ocorrências.

A última matança aconteceu na noite de 9 de março. Sete jovens foram executados por uma quadrilha, em três pontos diferentes do bairro Benfica, em Fortaleza. A motivação do crime foi a disputa pelo tráfico de drogas entre as facções criminosas Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (CV).

A guerra entre as duas organizações vem espalhando o sangue pelo Estado e também teria causado os outros episódios, inclusive a maior chacina da história do Ceará, com 14 mortos em uma casa de forró no bairro Cajazeiras, na Capital. Nas outras ocorrências, dez homens morreram em uma rebelião na Cadeia Pública de Itapajé; e quatro rapazes foram assassinados no Município de Maranguape.

A ascensão da violência contrasta com os investimentos na Segurança Pública. Em entrevistas recentes, o governador Camilo Santana ressaltou que, em três anos, foram contratados mais de três mil PMs e que mais dois mil policiais civis e militares estão em formação.

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