VIOLÊNCIA URBANA

Grande Fortaleza: 11 homicídios em 48h

02:24 · 30.08.2010
( )
Entre as vítimas está um jovem executado, ontem, na Comunidade do Marrocos, no bairro Bom Jardim

Sentada em uma calçada no cruzamento das Ruas Franciscano e Núbia Maria Cavalcante, na Comunidade do Marrocos, no Bom Jardim, a dona-de-casa Ricolice de Alencar Almeida desabafou enquanto observava o corpo do filho caçula de 17 anos, envolto em uma poça de sangue. "Eu quero morrer também, minha vida não importa mais". O filho dela, o adolescente Carlos Alexandre Alencar Almeida, 17, foi executado a tiro, no fim da manhã de ontem por dois desconhecidos em uma moto.

O jovem foi uma das 11 pessoas assassinadas no período compreendido entre as 18 horas da sexta-feira e a noite de ontem, na Grande Fortaleza (Capital e Região Metropolitana). A sequência de crimes teve início ainda na sexta-feira, quando Carleandro Rabelo dos Santos, 20, foi morto, após tentar assaltar um policial militar, no bairro Lagamar.

No sábado (28), mais seis homicídios foram registrados pela Polícia, nos bairros Itaperi, Genibaú, Antônio Bezerra, João Paulo II, Paupina e Parque São José. As vítimas foram identificadas como Wilton César Rocha Braga, 31; Daniel de Sousa Reis, 26; Valmir Alcântara Gomes Pereira, 28; Luís Wellington da Silva Teixeira, 22; Roberto Amorim dos Anjos, 24; e Francisco Rodrigues da Silva, 18.

Na madrugada de ontem, foram anotados mais três crimes de morte, sendo um no bairro Alto da Balança, cuja vítima foi Rubens Cavalcante de Sousa, 21. Os outros dois assassinatos aconteceram na região metropolitana, nos Municípios de Maracanaú e Eusébio. O primeiro ocorreu, na Travessa 14, no bairro Alto Alegre. Ali, Francisco Ilano Lima Sousa, 24, foi morto a tiro. No Eusébio, mais precisamente na Travessa Rogério Cavalcante, no bairro Guaribas, José Aldelei Silva de Sousa,33, foi morto com um tiro no abdome. O disparo, segundo a Polícia, foi efetuado por um adolescente de 16 anos, que acabou apreendido, horas depois.Sonhos

Já no fim da manhã de ontem, o adolescente Carlos Alexandre foi executado. Cursando o 1º Ano do Ensino Médio e ajudando o irmão mais velho, que trabalha como vigilante em um estacionamento, Alexandre, segundo a mãe, sonhava em ser vigilante e, posteriormente policial. "Quando ele completasse 18 anos eu ia pagar um curso de vigilante para ele, mas ele gostaria mesmo era de entrar na Polícia", contou entre lágrimas a dona-de-casa, enquanto era amparada pelos filhos.

A mulher informou à Reportagem que, ontem pela manhã, Alexandre estava em casa, "curtindo" um aparelho de celular novo. "Eu havia dado um celular para ele esses dias. Hoje (ontem), meu filho estava dançando com o celular na mão, depois me disse que iria para a casa do tio e da avó. Quando ele estava lá, foi convidado por um colega para vir pra cá, só para morrer. Mas eu vou descobrir quem fez isso com ele", afirmou.

EMERSON RODRIGUES
REPÓRTER

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.