indiciamento pela 'chacina das cajazeiras'

'Falsa resposta à sociedade', consideram advogados

01:00 · 03.07.2018
Image-0-Artigo-2421683-1
O massacre aconteceu na casa de shows Forró do Gago, na Comunidade do Barreirão, no bairro Cajazeiras, em janeiro deste ano ( FOTO: JL ROSA )

A defesa de Deijair de Souza Silva, de 29 anos de idade, negou que o cliente tenha sido um dos mandantes da 'Chacina das Cajazeiras' e seja líder da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) no Ceará, conforme foi apontado pela Polícia Civil, no relatório final que investigou o massacre resultante em 14 mortos. Silva foi indiciado pela sequência de execuções, como revelou uma reportagem da edição de ontem do Diário do Nordeste, baseada no relatório da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), obtido com exclusividade.

Em nota, os advogados Paloma Gurgel Cerqueira e Filipe Pinto afirmaram que "o que se nota é que as autoridades tentam dar uma falsa resposta à sociedade sobre a realidade da trágica Chacina das Cajazeiras". "O que está sendo veiculado não é a realidade dos autos. No que é pertinente ao meu cliente, não há comprovada quaisquer que seja, ordem ou aquiescência do mesmo com a fatalidade ocorrida", informou, ainda, a dupla de advogados que representa Silva.

A investigação da DHPP apontou, no relatório final do inquérito, que Deijair Silva, o 'De Deus', estaria entre os principais líderes da cúpula descentralizada, que formam uma espécie de 'conselho' da GDE.

Os defensores do acusado criticaram a conclusão da Polícia na nota enviada à reportagem. "Lembramos ainda que a responsabilidade objetiva criminal que estão tentando imputar ao meu cliente, por supostamente fazer parte de um conselho da denominada facção GDE, é uma prática não permitida pelo ordenamento jurídico brasileiro, devendo os reais culpados terem suas condutas individualizadas".

Liminar

Deijair de Souza Silva é um antigo conhecido das polícias Civil, Militar e Federal do Ceará. O nome dele aparece em vários processos criminais, inclusive com grafias diferentes, sendo 'Deijair' e 'Djair'. Ele é apontado como um dos envolvidos na negociata que resultou na compra de uma liminar, em um plantão do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), investigada pela Polícia Federal, no bojo da 'Operação Expresso 150'.

A ofensiva deflagrada pela PF, apresentou 'De Deus' como um dos supostos beneficiados por uma decisão ilícita do desembargador Carlos Rodrigues Feitosa. O habeas corpus foi deferido no dia 7 de julho de 2013 e teria custado R$ 150 mil ao acusado. A defesa de Deijair não se pronunciou sobre os fatos.

Depois de solto, Silva teria ingressado na GDE, em 2015. No início, ele seria apenas o responsável por distribuir drogas. Mas, em três anos, começou a se destacar, até assumir o posto máximo da facção. "Ele era um simples soldado do 'João Presinha'. Atuava no Tancredo Neves, mas foi ganhando espaço. Acabou preso novamente neste ano e, mesmo assim, continua despachando drogas. Ele faz isso de dentro do presídio e tem poder na Capital e em parte da Região Metropolitana", revelou uma fonte ouvida pelo jornal.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.