casas tomadas

Facção volta a expulsar famílias em Fortaleza

De agosto de 2017 para cá, o 30ºDP já instaurou quatro inquéritos para investigar as ações. O total de vítimas ainda é desconhecido ( Foto: Natinho Rodrigues )
01:00 · 17.03.2018

Adultos regando plantas e fazendo atividades físicas, crianças brincando. Uma base fixa da PM em frente. A tranquilidade aparente no Residencial José Euclides Ferreira Gomes, no Sítio São João, contrasta com pichações, que exaltam uma facção e ameaçam os transeuntes. 

Desde o ano passado, a facção Guardiões do Estado (GDE) tem expulsado famílias do condomínio. Do último mês de agosto para cá, o 30ºDP (Conjunto São Cristóvão), já instaurou quatro inquéritos para investigar as ações. O total de vítimas ainda é desconhecido. Nesta semana, teriam acontecido novas expulsões, mas a Polícia não confirma.

O silêncio predomina. “É um crime que a própria vítima não colabora. Tem gente que chega aqui e não quer dizer com medo. No último caso, quase prendemos uma pessoa, mas a vítima não quis vir para a Delegacia. É uma situação muito difícil”, disse o titular do 30ºDP, Maurício Vasconcelos Júnior.

O medo e a censura ficaram com quem permaneceu. “Está tudo tranquilo. Não tem nenhum problema. Já teve, mas não tem mais”, afirmou uma moradora. Indagada sobre as pichações da facção, se contradiz: “Disso a gente não pode falar”.

Disputa

O residencial é palco de uma disputa entre facções, segundo o Maurício Júnior. “A disputa pelo tráfico não aceita pessoas de outras comunidades. Tomam o território para ficar como ponto estratégico. Essas invasões não são novas, já vêm acontecendo há um tempo. Se intensificam, param e voltam”, revelou.

As investigações da Polícia Civil resultaram em duas prisões. Um dos suspeitos é Emanoel Marques Palhano, 27, considerado o líder da GDE na região, dava ordens de quem devia continuar no local. Palhano também estaria envolvido em, pelo menos, 15 homicídios. A nome de seu comparsa, preso na semana passada, não foi revelado. 

As expulsões de famílias de suas casas por facções, já haviam acontecido. A GDE também teria tomado casas da Comunidade da Babilônia, no Barroso; e no Conjunto Palmeiras.

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