Ousadia

Facção planejava matar juiz, promotor e delegada

01:00 · 21.04.2018
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Em Icapuí, as facções Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho trocam ameaças pelas redes sociais, assustando os moradores do Município

O crime organizado mostra, em ações ousadas, que não teme nem mesmo autoridades no Ceará. A Polícia Civil descobriu, nesta semana, que uma facção planeja o assassinato do juiz, do promotor e da delegada de Crateús (a 354 km de distância de Fortaleza). Em Icapuí, a 205 km, outro grupo criminoso tem ameaçado políticos e servidores públicos e aterrorizado os moradores da cidade.

Segundo uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que preferiu não se identificar, interceptações telefônicas vêm acompanhando a movimentação dos criminosos de Crateús, há cerca de um mês, e desvendaram a trama. Os suspeitos seriam membros da facção Comando Vermelho (CV).

As conversas pelo telefone apontam que o primeiro alvo da organização criminosa era a titular da Delegacia Regional de Crateús, da Polícia Civil, delegada Ana Paula Scotti. Depois, o bando pretendia executar o juiz da Comarca do Município, Francisco Gilmário Barros Lima, e o promotor de Justiça José Arteiro Soares Goiano.

A fonte ouvida pela reportagem acredita que a Polícia Civil está próxima de prender os criminosos. A investigação contou com apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da SSPDS.

"A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informa que mantém os trabalhos de investigação de combate ao crime organizado no município de Crateús, Área Integrada de Segurança 16 (AIS 16), e apura as ameaças de grupos criminosos a autoridades da região. Mais detalhes serão repassados no momento oportuno para não comprometer o andamento dos trabalhos policiais", disse a Secretaria da Segurança, em nota.

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) afirmou, em nota, que "tomou ciência dos fatos e encaminhou o caso ao conhecimento da Comissão de Segurança Permanente do Poder Judiciário para adoção de providências".

Já o Ministério Público do Estado Ceará afirmou ter adotado "todas as providências para resguardar a segurança do membro do MPCE em Crateús e o exercício das funções ministeriais". A delegada Ana Scotti não quis falar sobre o assunto. O juiz Francisco Gilmário e o promotor José Arteiro não foram localizados.

Icapuí

Em Icapuí, as facções Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho trocam ameaças pelas redes sociais, assustando os moradores do Município que não têm relação com a disputa por território para o tráfico de drogas, e direcionam mensagens intimidatórias a autoridades e servidores públicos.

Na página da Prefeitura Municipal de Icapuí na rede social Facebook, um perfil publica comentários em diversas postagens recentes do órgão, ameaçando o prefeito e o diretor da Cadeia Pública. O objetivo da pessoa, identificada na rede social como Algusto Carneiro, é que presos rivais, custodiados naquela Cadeia, sejam transferidos para outra unidade do Sistema Penitenciário cearense.

A reportagem procurou a Prefeitura, mas as ligações não foram atendidas. A Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) foi questionada sobre as ameaças ao diretor carcerário, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

Uma moradora de Icapuí, que preferiu não se identificar, contou que o crime organizado alterou a rotina da população. "De primeiro, não tinha esse negócio de facção, era tranquilo, a gente ficava fora de casa até tarde da noite. Hoje a gente tem medo.

O tenente Ricardo Ponciano, comandante da Polícia Militar em Icapuí, atribuiu as mensagens nas redes sociais a perfis falsos. "São 'fakes' que estão fazendo esse tipo de coisa. A gente está trabalhando forte e desarticulando varias pessoas que trabalham para essas facções". O PM acrescentou que, devido ao grande número de prisões realizadas, a Cadeia Pública do Município está superlotada. Três celas, que teriam capacidade para três internos cada, contam com mais de 50 detentos, segundo o oficial da PM.

A Polícia Civil informou que iniciou investigações para identificar e capturar autores de ameaças. A Pasta afirmou que nenhum político ou pessoa pública foi citada nas postagens. Acrescentou que a Delegacia Municipal, a PM e a Sejus já iniciaram ações para "evitar delitos".

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