Contra banco privado

Empresário usou nome falso para pleitear indenização

01:00 · 25.06.2018

A demora no andamento dos processos trouxe consigo uma sensação de morosidade tão grande que um dos principais acusados do esquema já voltou a delinquir. A ação penal em curso, que investiga o rombo causado na Caixa Econômica Federal (CEF) não coibiu, sequer, a prática de novos crimes. Assim foi com Ricardo Alves Carneiro, flagrado, em outubro de 2017, usando um nome falso para mover um processo contra um banco privado, na Justiça Estadual.

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Se dizendo Ricardo Carneiro Filho, o acusado de articular o esquema investigado na 'Operação Fidúcia', obteve um parecer favorável no processo contra o banco. Iria receber R$ 15 mil, quando descobriu-se que o nome do requerente era falso.

O numerário foi bloqueado por ordem da Justiça. O Ministério Público Federal (MPF) entrou com um novo pedido de prisão contra o acusado, alegando que ele havia voltado a praticar crimes, quando se passou por outra pessoa e conseguiu um RG e um CPF falsos. No entanto, o pedido de prisão foi negado.

A identidade falsa havia sido descoberta pela Polícia Federal, ainda durante as apurações. Utilizando uma fraude grosseira, o acusado não atentou para um detalhe importante quando inventou o nome falso de Ricardo Carneiro Filho: o pai dele não se chama Ricardo.

"Durante as investigações, a PF descobriu que além de ser o mentor do esquema, Ricardo utilizava um nome falso para abrir empresas de fachada e movimentar as fraudes", explicou o procurador da República, Alessander Cabral Sales.

Boa vida

Dono de um automóvel Maserati, uma BMW, um avião de pequeno porte, um imóvel na Praia do Porto das Dunas e uma casa em Miami, nos Estados Unidos da América, o empresário dava festas suntuosas, frequentadas por autoridades e pela alta sociedade cearense. Segundo Alessander Sales, quase nada da fortuna ilícita conseguida pelo acusado foi investida, praticamente tudo servia apenas para sustentar a boa vida que levava. "Ele só queria essa boa vida mesmo. Gostava de ostentar, de mostrar para as pessoas que era rico".

Conforme o procurador, Ricardo Carneiro afirmou, em audiência, que trabalha atualmente como consultor tributário e tem uma renda aproximada de R$ 60 a 70 mil. Porém, não comprovou em Juízo nenhuma das consultorias que diz ter oferecido ultimamente.

"É muito estranho que uma pessoa complicada com a Justiça como ele, que não tem uma graduação na área, que não consegue citar nenhum cliente, preste tantas consultorias e levante tanto dinheiro. Difícil acreditar", afirmou.

A reportagem tentou entrar em contato com Henrique Davi, advogado de Ricardo Carneiro, porém, até o fechamento desta edição, não havia conseguindo falar com a defesa do empresário.

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