SUSPEITOS DE MATAR PASTOR

‘Eles não pensam antes de atirar’

01:00 · 15.09.2018
JUIZ
Segundo o juiz, há uma escalada na criminalidade. Por exemplo, um adolescente de 13 anos se envolve em um menor delito. Em 24h, ele volta às ruas ( Foto: JL Rosa )

O número de adolescentes envolvidos nos casos de roubos e furtos de veículos, em Fortaleza, vem crescendo nos últimos anos. A percepção é do juiz Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves, titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza. O magistrado conta que atua, quase que diariamente, com casos similares ao que vitimou o pastor Antônio Wanderlei da Costa.

> Suspeitos de matar pastor são adolescentes 
 
O adolescente capturado pelo latrocínio contra o pastor foi ouvido, na manhã dessa sexta-feira (14). Ele já foi encaminhado ao Juizado competente, onde foi determinado que fosse encaminhado ao Centro Socioeducativo para que fique internado. O garoto de 16 anos já está cumprindo a medida imposta pelo Justiça.

Manuel Clístenes comentou, em entrevista ao Diário do Nordeste</CF> que, uma média de três menores de idade se envolvem em Crimes Violentos Contra o Patrimônio (CVP), com o objetivo de subtrair carros ou motos, por dia. O magistrado pontua que observou, ainda, que a maioria dos infratores têm 16 e 17 anos, ou seja, estão próximos de completar a maior idade penal.

“Essa incidência cresceu assustadoramente nos últimos cinco anos. Sem medo, digo que a maior parte dos adolescentes internos em Centros Socioeducativos estão lá por roubo de veículo. Em seguida, vêm outros delitos como tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo”, informou Clístenes Gonçalves.

Para o titular da 5ª Vara, o aumento deste envolvimento está diretamente ligado às brechas na Legislação. O magistrado contou que é comum ouvir nos depoimentos dos jovens afirmações como: “Agora que eu vou fazer 18 anos, não se preocupe, vou me ajeitar”.

“É uma escalada na criminalidade. Por exemplo, um adolescente de 13 anos se envolve em um menor delito. Em 24 horas ele volta às ruas. Vem a tentação de cometer algo novamente. Não cumpre medida, nem em meio aberto, e assim vai praticando outros atos. Cada vez que volta para a Justiça é porque foi responsável por uma ação mais grave”, disse o juiz.

Irresponsabilidade

O juiz afirma que ao ver o vídeo do latrocínio do pastor, pensou que adolescentes estivessem envolvidos no caso. Isso, porque, segundo ele, roubos com envolvimento de jovens têm mais chances de terminar em latrocínio.

“Ao analisar os crimes de latrocínio na nossa Cidade, vemos que nos últimos 10 anos, quase todos têm a participação de adolescente. O adulto pensa 10 vezes antes de atirar contra a vítima, já o menor não. Foi um crime muito irresponsável”.

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