Latrocínio

Dupla que matou empresário era reincidente em roubos

O adolescente já havia sido apreendido por tentativa de roubo e em dezembro do ano passado por receptação

Os detalhes da investigação, que resultou na apreensão do adolescente e na prisão do adulto foram divulgados, na manhã de ontem, em coletiva de imprensa. Na ocasião, os antecedentes criminais dos suspeitos foram apresentados ( FOTO: CID BARBOSA )
01:00 · 25.04.2018
Luís Djacy Rodrigues de Sousa Júnior, 23, foi preso no bairro José Walter, na Capital. O comparsa dele, adolescente de 16 anos, foi detido no Interior do Estado

O empresário e diretor esportivo Roberto Mamede Studart Soares, 54, foi morto em um assalto, por dois suspeitos que são reincidentes em roubos. A dupla foi capturada pela Polícia Civil poucas horas depois do crime, ocorrido na tarde da última segunda-feira (23), no bairro Papicu, em Fortaleza. Luís Djacy Rodrigues de Sousa Júnior, 23, foi preso no bairro José Walter, na Capital, enquanto o adolescente de 16 anos de idade foi encontrado no Município de Morada Nova (a cerca de 165 km de distância do local do crime).

A vida de cometimento de atos infracionais do adolescente começou antes dos 15 anos, quando foi apreendido pela primeira vez por roubo. No ano passado, ele foi capturado mais duas vezes. "Os dois moram na área do Jangurussu. O menor já foi apreendido em janeiro do ano passado, por tentativa de roubo. Em dezembro agora (2017), por receptação. O maior de idade já tinha passagens por roubo e desacato. Os dois confessaram a sua participação, que estavam juntos e acabaram praticando esse latrocínio", informou o titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, em coletiva de imprensa concedida na manhã de ontem.

O adulto preso já respondia a dois processos no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) por roubo. No primeiro caso, ele foi preso em flagrante no dia 14 de setembro de 2013, ao assaltar pessoas que estavam em uma parada de ônibus na Avenida Alberto Craveiro, no bairro Dias Macêdo, em Fortaleza. Em 14 de março de 2014, a juíza Adriana Aguiar Magalhães, da 15ª Vara Criminal, expediu alvará de soltura com medidas cautelares a favor do assaltante.

No dia 25 de junho de 2014, Luís Djacy voltaria a ser preso, por um roubo de um celular na antiga Avenida Dedé Brasil, no bairro Serrinha. A juíza Marileda Frota Angelim Timbó, da 14ª Vara Criminal, determinou a liberdade do acusado, através de alvará de soltura, expedido no dia 11 de maio de 2015.

Diligências

Após o crime que vitimou o empresário, investigadores da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) analisaram câmeras de segurança, levantaram o perfil dos dois suspeitos e se deslocaram até as suas residências, no bairro Jangurussu, com apoio da Unidade Tática Operacional (UTO).

No imóvel de Luís Djacy, os policiais apreenderam a motocicleta utilizada no latrocínio, mas não o encontraram. Ele foi localizado no José Walter, próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O adolescente também não estava na sua residência, mas a Polícia descobriu que ele tinha familiares em Morada Nova e uma equipe se dirigiu para o Município.

O diretor da DHPP, delegado Leonardo Barreto, atribuiu as prisões ao trabalho da Polícia Civil e a denúncias anônimas. "Por ser uma ação cirúrgica, técnica, com apresentação de indícios convincentes e certeiros, não teve outra alternativa. Os indivíduos, uma vez confrontado com todos esses indícios, decidiram colaborar com as investigações e admitiram a autoria delitiva, inclusive dando detalhes da ação criminosa", revelou.

Luís Djacy irá responder a latrocínio e corrupção de menores, enquanto o jovem apreendido, a um ato infracional análogo ao latrocínio. Segundo Barreto, a moto havia sido roubada no Pará e adulterada para ser usada em ações criminosas.

Arma

O diretor de Esportes Amadores e Olímpicos do Fortaleza Esporte Clube, onde era conhecido como Betinho Studart, foi morto em uma tentativa de assalto, em frente à agência do Banco do Brasil da Avenida Santos Dumont. Conforme a investigação, o adolescente portava a arma de fogo, enquanto Luís Djacy de Sousa deu apoio à ação criminosa, na motocicleta.

"Eles combinaram de sair nessa motocicleta para achar uma vítima não definida, uma oportunidade para cometer esse crime patrimonial. Ficaram nas imediações do banco, um deles afirmou que o alvo seria outro motociclista que estava próximo a um supermercado, mas que não conseguiram fazer a abordagem", contou o diretor da DHPP.

Ao verem Betinho Studart sair do banco, os criminosos perceberam um volume no bolso da vítima e imaginaram que seria dinheiro. Entretanto, Barreto afirmou que o empresário não tinha feito saque, mas sim depositado um valor. Imagens de uma câmera de monitoramento mostram que o adolescente corre até Studart e o aborda na entrada do seu veículo. A vítima reage, trava uma luta corporal, chega a derrubar o assaltante, mas acaba recebendo três tiros e morre no local.

O secretário André Costa lamentou a morte, mas ponderou que o número de 'saidinhas bancárias', neste ano, é pequeno. Segundo o Sindicato dos Bancários do Ceará, foram três ocorrências em 2018. "Já estamos terminando o mês de abril e vocês sabem que, anos atrás, eram números muito maiores de 'saidinha de banco'. Infelizmente, esse terceiro caso aconteceu ontem e um cidadão de bem veio a óbito por causa dessa ação", pontuou.

O delegado Leonardo Barreto afirmou que Betinho Studart se colocou como "vítima em potencial" ao reagir ao assalto. "Existe algo que a gente chama de triângulo do crime: gente motivada, ambiente favorável e vítima em potencial. O fator que o cidadão tem de controle é não se colocar em uma situação de vítima em potencial. Não estamos falando que a culpa é da vítima, mas há elementos que contribuem para isso. Uma vez que foi surpreendido, o ideal, porque você está em desvantagem, é não esboçar reação, sob pena de acontecer o pior e pagar com a própria vida".

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