Violência

Dois vigilantes são mortos em menos de 48h na Capital

01:00 · 22.05.2018

Dois vigilantes que estavam em atividade foram assassinados a tiros, em ocorrências distintas na Capital, em um intervalo de tempo menor que 48h. Os crimes aconteceram em uma barraca na Praia do Futuro e em frente a um hotel no bairro Moura Brasil. De acordo com informações da Polícia, as motivações dos dois crimes foram diferentes.

No caso mais recente, ocorrido na entrada do hotel, a principal linha de investigação aponta que Marcos Kelvin Oliveira de Queiroz, 26, foi morto por vingança, após homens terem sido expulsos da festa que acontecia no Marina Park Hotel, na noite de domingo (20).

Segundo o comandante da Área Integrada de Segurança (AIS) 4, major PM Otoniel Nascimento, os suspeitos são homens que estavam promovendo "desordem" no camarote e foram colocados para fora do evento pelos seguranças. Na saída, eles prometeram: "vamos voltar".

Testemunhas contaram que os suspeitos também bradaram ser integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e moradores da comunidade Oitão Preto - que fica próxima do hotel em que aconteceu o crime.

Cerca de uma hora depois, por volta de 23h30, três criminosos desceram de um veículo Jeep Renegade e efetuaram vários disparos de pistolas, alvejando três seguranças que se encontravam próximo ao carro da empresa em que trabalhavam, em frente ao hotel, na Avenida Presidente Castelo Branco.

Os três seguranças feridos foram levados ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro. Marcos Kelvin morreu na unidade de saúde. Alexandre Barbosa e Samuel Oliveira Correia sofreram tiros nas pernas e não correm risco de morte.

A empresa 7 Tons, responsável pela organização do evento - por meio da assessoria de imprensa - ressaltou que a ação criminosa aconteceu fora da festa, em frente ao Marina Park, e garantiu que a está 'colaborando com tudo que é necessário". Conforme a empresa, o tiroteio aconteceu no momento da apresentação do DJ JetLag. As atrações principais do evento eram Jorge & Mateus e Xand Avião.

O vigilante morto prestava serviços à DSV (Danilo Segurança e Vigilância). Um representante, que preferiu não se identificar, afirmou que a empresa estava preocupada "primeiramente, em dar atenção à família, com funerária, enterro, os direitos do funcionário, toda assistência". "Mas também estamos acompanhando as investigações e vamos cobrar da Polícia", completou. A reportagem ligou para o Marina Park Hotel, mas não foi respondida sobre o caso.

Execução

Rodrigo Lopes da Silva, 29, foi executado a tiros, na barraca de praia Sunrise, na Praia do Futuro, enquanto prestava serviço como vigilante, na tarde do último sábado (19). Segundo o comandante da AIS 10, major Vicente de Paula, a principal hipótese para a motivação do crime é o conflito entre facções criminosas pelo domínio do tráfico de drogas na região.

Dois homens chegaram a pé no estabelecimento e se dirigiram diretamente para Rodrigo Silva, contra quem efetuaram cerca de 20 disparos. O vigilante morreu no local. Os dois homicídios contra vigilantes em atividade são os primeiros neste ano, segundo o Sindicato dos Vigilantes do Ceará (Sindvigilantes) - que engloba vigilantes patrimoniais e de eventos, também conhecidos como seguranças.

A direção do Sindvigilantes lamentou as mortes e alegou que a categoria sofre com condições precárias de trabalho. Conforme o Sindicato, as empresas contratam os vigilantes sem carteira assinada e não se responsabilizam por incidentes.

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