PÂNICO NA ESCOLA

Desabamento deixa 16 feridos

02:36 · 18.10.2007
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Teto ruiu quando os estudantes participavam de atividade recreativa. Uma aluna, de 10 anos, está em estado grave


Beberibe. O que deveria ser mais uma manhã tranqüila de aula na Escola Municipal José Bessa, na Praia do Morro Branco, no Município de Beberibe (75 quilômetros de Fortaleza), transformou-se em momentos de pavor e desespero para toda a comunidade escolar, familiares de estudantes e circunvizinhança da unidade de ensino. O teto de madeira do pátio interno que unia dois módulos do colégio desabou por volta das 10 horas de ontem.

Na hora do desmoronamento, 20 crianças se preparavam para participar de uma recreação no local. Quinze delas foram atingidas pelos escombros, além da professora Marilene de Souza dos Santos, 22 anos. Os feridos foram atendidos no Hospital Monsenhor Dourado, no Centro de Beberibe. A aluna Francisca Mariana da Silva Nunes, 10 anos, em estado gravíssimo devido a traumatismo crânioencefálico, foi transportada no helicóptero da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para o Instituto Doutor José Frota (IJF), nesta Capital.

Além de Mariana, os alunos Artur Silvano dos Santos, Laís da Silva Nascimento, Abelardo Afonso Amorim, Rebeca Fernandes da Silva, Sabrina Monteiro Maciel, Dárcia Gomes de Miranda e a professora Marilene dos Santos, também vítimas do desabamento, foram transferidos para o IJF em ambulâncias. Todos apresentavam politraumatismo e ferimentos e tiveram que ser trazidos para a Capital a fim de se submeterem a exames mais apurados, embora sem apresentarem risco de morte.

Com o desabamento, o pátio interno da escola transformou-se em ruínas, com centenas de telhas, bem como ripas e vigas quebradas e pregos perigosamente à mostra. Restaram de pé as colunas de sustentação, erguidas em alvenaria.

Denúncia

A obra de construção do teto do pátio interno da Escola Municipal José Bessa foi concluída no dia 16 de junho passado. Funcionários do colégio denunciam que o serviço foi feito ‘a toque de caixa‘ e demorou menos de um mês.

Pouco antes do desabamento do teto do pátio - que media 30 metros de comprimento por 10 de largura -, dezenas de alunos brincavam na área, enquanto outros merendavam. Era hora do recreio. Concluído o intervalo, todos voltaram às salas de aula. O pátio foi, então, ocupado por 20 alunos, da faixa etária de oito a 10 anos, para participarem de atividade recreativa sob a coordenação da professora Marilene, quando aconteceu o acidente.

FERNANDO BRITO
Repórter

PESADELO
Crianças relatam os momentos de pavor


A comunidade se uniu para socorrer as vítimas. A solidariedade marcou o acidente

Beberibe. Medo mesclado com alívio. Esta era a sensação de alguns dos estudantes que estavam no pátio interno da Escola José Bessa no momento do desabamento do teto e sobreviveram ao acidente. Leonardo Aquino da Silva, de 10 anos, sofreu ferimentos na boca, lábios, pernas, braços e no queixo, além de perder dois dentes.

“Não gosto nem de pensar naquilo”, disse o menino ainda trêmulo diante do que tinha acontecido instantes antes. Seu sentimento era compartilhado pelos demais estudantes que estavam na escola no momento do desabamento.

Sem tempo

Leonardo chegou a desmaiar no momento do sinistro, mas horas depois já estava em casa, junto da família. “Não deu tempo da gente escapar”, contou, lembrando dos colegas de classe também acidentados, principalmente Francisca Mariana, a vítima mais grave. Ele se sente aliviado por estar vivo, mas teme voltar à cena do desabamento.

Gabriel Batistuta, 10 anos, e Angélica Nascimento da Silva, 10 anos, também estavam no pátio do colégio, mas escaparam ilesos. “Foi horrível. Mas, a gente escapou. Graças a Deus”, disseram. Os dois também temem retornar à escola. “A gente vai ficar lembrando toda hora daquele horror todo. Vai ser horrível”. Eles disseram aos jornalistas que agora estão torcendo pelo restabelecimento dos colegas e da professora.

“O barulho lembrou um terremoto”, conta a diretora da escola, professora Fernanda Cláudia Monteiro. Ela disse que não houve tempo de todas as crianças escaparem. “Foi tudo muito rápido.” A diretora acredita que a tragédia poderia ter sido pior se tivesse acontecido na hora do recreio. No turno da manhã, cerca de 250 crianças estudam no colégio, que oferece ensino fundamental.

A comunidade vizinha ajudou no socorro às vítimas. Bugueiros do Morro Branco que passavam defronte à escola fizeram o transporte dos feridos para o Hospital Monsenhor Dourado. A secretária escolar Ivanise Rodrigues da Silva disse que o desespero foi grande. “Mas, todo mundo se uniu para socorrer as vítimas. A solidariedade foi importante.”

DEPOIS DO ACIDENTE
Prefeito manda suspender aulas


Beberibe. Estarrecido com o desabamento na escola municipal, o Prefeito de Beberibe, Odivan Facó, informou que a obra na unidade de ensino fundamental foi de responsabilidade da administração municipal anterior.

Facó considerou “no mínimo estranho”, uma obra recém-concluída vir ao chão. O prefeito determinou a suspensão das aulas na Escola José Bessa por tempo indeterminado, bem como em outras unidades de ensino municipais que passaram por obras recentemente sob a responsabilidade da administração anterior. Ao todo, 12 colégios ficarão sem funcionar.

“As aulas só serão retomadas quando as obras foram averiguadas devidamente e constatada total segurança para as respectivas comunidades escolares”, asseverou. O prefeito solicitou perícias da Polícia Civil e do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) do Ceará para esclarecer as causas do desabamento.

Uma equipe de fiscalização do Conselho esteve ainda ontem em Beberibe. Um laudo deve ser divulgado no prazo de três a sete dias. Por outro lado, um inquérito policial sobre o sinistro será instaurado na Delegacia Municipal de Beberibe, que tem como titular o delegado Flávio Novais.

O secretário de Infra-estrutura de Beberibe, Pedro Colaço Martins, também esteve na escola, constatando o quadro de destruição. Populares disseram que acidente semelhante pode ocorrer em outras edificações municipais e pediram providências. Doze quadras poliesportivas de Beberibe estão sendo averiguadas e a quadra esportiva na praia do Morro Branco está interditada. A cobertura de ferro e flandre está totalmente deteriorada.

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