FORTALEZA SOB ATAQUES

Das facções, apenas a GDE deu ordens para ataques

00:00 · 21.04.2017 / atualizado às 10:13

O tumulto no Sistema Penitenciário que terminou com a situação de caos em Fortaleza começou depois que um setor de uma penitenciária, em que tinha maior concentração de detentos aliados à facção Guardiões do Estado (GDE) foi "corrigido" e algumas regalias foram cortadas, conforme uma fonte da Inteligência. Segundo o policial, os ataques têm uma única facção responsável e as outras organizações não estariam apoiando.

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"Essa é a força máxima do GDE. Logo os ataques devem diminuir ou até mesmo parar". O policial considera que existe "muito mais oportunismo e amadorismo" nas ações que crimes orquestrados. Ele declarou, também, que já havia indicativos de que isso podia acontecer, porque as ações nas prisões sempre refletem nas ruas. "Se apertar no presídio, tem 'espirro' na rua".

O policial da Inteligência considera que a corrupção, o déficit de vagas, ausência de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e a falta de bloqueadores de celulares são problemas sérios do Sistema Penitenciário, que precisam ser enfrentados. "Enquanto tivermos telefones celulares nos presídios, a comunicação entre os mandantes presos e os executores soltos ficará facilitada".

Outro investigador da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que os presos querem ficar fora das celas dentro das muralhas. "O que estão fazendo é afrontando o Estado e causando prejuízo financeiro, com o argumento de que estão sendo oprimidos no Sistema Prisional. Resumindo, querem as regalias", afirmou.

O servidor da SSPDS diz que é imprevisível o que pode acontecer daqui em diante. "Por enquanto só a GDE está agindo, mas se as outras facções se juntarem vai aumentar os ataques a ônibus e órgãos públicos. Na cabeça dos bandidos, ações como essas mostram a fraqueza do Estado e o poder do crime".

A fonte lembra que a situação nos presídios é de instabilidade e pode se agravar. "Pode 'estourar' de novo e não é difícil". Segundo o investigador, a GDE não tem criminosos poderosos e nem dinheiro como as outras três facções que disputam espaço com ela nas prisões cearenses, que são o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN). "Embora não seja grande como as outras, a GDE atua no tráfico de drogas, em assaltos a banco e homicídios", revelou.

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