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Comboios e escoltas nas saídas dos terminais

Apesar da escolta e da promessa de que o funcionamento seria normal, por volta das 22 horas, os ônibus foram recolhidos e os terminais esvaziados
00:00 · 21.04.2017 / atualizado às 10:14

Com a depredação de 19 ônibus urbanos em dois dias que resultaram em um prejuízo que se aproxima dos R$ 7 milhões, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Fortaleza (Sindiônibus) se planejou junto às Forças de Segurança do Estado do Ceará para que os coletivos partissem dos terminais apenas em comboios e sob escolta.

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A operação de segurança elaborada em reunião com a participação da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSPDS) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), na tarde de ontem, definiu que as modificações para a circulação aconteceriam a partir das 17h.

No Terminal do Papicu, no entanto, a medida acabou sendo colocada em prática um pouco antes das 18h, atendendo às linhas consideradas mais críticas, como as que circulam pelos bairros da região. Mesmo em horário de pico, a movimentação no terminal se apresentava expressivamente inferior ao que é visto em um fim de tarde qualquer dia útil.

De acordo com o presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, após o primeiro dia de ataques, o fluxo de passageiros reduziu, pelo menos, 50%. "Pela sensibilidade do nosso pessoal de campo, em toda essa quinta teve uma redução de pelo menos metade da demanda", afirmou.

Fluxo

O presidente do Sindiônibus disse que no início da manhã de ontem, com a pausa dos ataques, a frota voltou 100% para as ruas. No entanto, com a retomada dos incêndios, foi preciso repensar ações que pudessem evitar a depredação dos veículos e garantir a segurança dos clientes e funcionários.

Sobre a retomada do funcionamento, Dimas Barreira revela que a garantia da escolta reflete na garantia dos ônibus nas ruas. "Estamos confiantes que ficará o funcionamento pleno. Não vai haver mais interrupção porque essas ações de segurança estão se mostrando eficazes e porque cessaram os ataques", disse.

Por volta das 18h, a PM e a Guarda Municipal estiveram presentes no equipamento do Papicu. Mesmo assim, muitos passageiros ainda se mostraram apreensivos em relação à regularidade dos ônibus. Foi o caso da doméstica Ernestina Barros, 44, que na noite anterior, teve que se deslocar do bairro Papicu até o Siqueira, onde mora, de táxi. "Foi o único jeito depois de passar três horas esperando e não aparecer nenhum ônibus. Ainda estou com o coração na mão", conta a usuária.

Apesar da cuidadora Carmem Miranda, 60, ter dormido no trabalho por não ter como voltar para casa, ela defende a ideia de recolher os veículos em prol da segurança dos passageiros e de motoristas e cobradores. "É melhor assim, mas eu acho que deveriam avisar algumas horas antes de tomar essa medida para a população poder se precaver. Ontem eu sai às 16h do trabalho e encontrei pessoas que estavam nos pontos de ônibus desde as 13h.

A operação emergencial tem o objetivo de evitar que os coletivos passem por localidades vulneráveis a ataques. Junto à SSPDS, o Sindiônibus mapeou pontos de risco que devem ser evitados. O Sindicato afirma que optou por aglutinar rotas similares. Com isso, é provável que de um coletivo até outro, da mesma linha, os passageiros tenham de esperar em torno de uma hora.

"Obviamente não haveriam viaturas suficiente para acompanhar cada ônibus. Fazemos itinerários otimizados para evitar as áreas mais vulneráveis e ter uma quantidade que as viaturas possam acompanhar", acrescentou Dimas Barreira. Ele lembrou que o desconforto possivelmente causado aos passageiros é necessário neste momento. "Algumas vezes será preciso caminhar mais até a alguma parada. Estaremos orientando", disse.

Em nome do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), Domingos Neto ressalta que o esforço empreendido é no intuito de manter o patrimônio das empresas. "Há muito tempo a gente vem denunciando a falta de segurança e a violência nos ônibus. Esperamos que a segurança permaneça por mais tempo para dar um basta nos crimes nos transportes coletivos", disse o presidente do Sintro. Apesar da promessa do funcionamento ininterrupto, por volta das 22h, os terminais começaram a ser esvaziados e os ônibus recolhidos. Leia mais na página 9 e Negócios p.1

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