briga de facções

Chacina das Cajazeiras: investigação finalizada

Inquérito acerca da maior chacina ocorrida no Ceará, que deixou 14 mortos, em janeiro, foi finalizado pela DHPP

01:00 · 25.05.2018 por Cadu Freitas - Repórter

No próximo domingo (27), completa quatro meses que um grupo de homens da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) executou 14 pessoas na casa de shows 'Forró do Gago', na Comunidade do 'Barreirão', no bairro Cajazeiras. Ontem, as apurações sobre o massacre, foram apresentadas pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), durante uma entrevista coletiva à imprensa, concedida na sede da Instituição.

Ao todo, 14 pessoas participaram direta ou indiretamente do episódio conhecido como 'Chacina das Cajazeiras', ocorrido em 27 de janeiro último. O mentor intelectual da matança, segundo a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foi Deijair de Sousa Silva, o 'De Deus', de 29 anos, preso em 19 de fevereiro, em um condomínio de luxo no bairro Cocó.

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Réu em outro processo, Deijair estava em regime semiaberto e era monitorado por uma tornozeleira eletrônica, antes de ordenar a chacina. A defesa do acusado diz que não foram apresentadas provas que embasem a denúncia, além de não ter tido acesso às interceptações telefônicas, que estariam sob posse dos investigadores da DHPP.

Mandantes

Além de Deijair, o inquérito identificou outros suspeitos de serem mandantes do massacre. São eles, Noé de Paula Moreira, 34; seu irmão Misael de Paula Moreira, 26; Auricélio Sousa Freitas, 35; e Zaqueu Oliveira da Silva, 36. Segundo a Polícia, Noé Moreira já estava preso no Instituto Penal Professor Olavo Oliveira (IPPOO II), cumprindo pena de 16 anos, pelo cometimento de um homicídio, no bairro Antônio Bezerra. Misael Moreira, que também foi condenado pelo assassinato, continua foragido.

Auricélio Freitas, o 'Celim', 35, apontado pela Polícia como um dos líderes da GDE, e chefe do tráfico no bairro Barroso, segue foragido. Um fonte de uma célula de Inteligência da SSPDS disse à reportagem que há informações que ele fugiu do Ceará, após a chacina.

Zaqueu Silva, que seria um dos principais traficantes da Comunidade da Rosalina, no bairro Passaré, foi preso por policiais do 12º DP (Conjunto Ceará), ontem. Durante a operação, uma pistola, uma arma longa e um veículo foram apreendidos.

Executores

Segundo a DHPP, além dos mandantes, sete executores foram responsáveis pelas mortes: um adolescente de 17 anos, que já está apreendido; Fernando Alves de Santana, 26, preso em abril, em Seabra, na Bahia; Francisco Kelson Ferreira do Nascimento, 23, preso no Parque Dois Irmãos, também em abril.

Além deles, também foram detidos Rennan Gabriel da Silva, 20, em fevereiro, durante ação na Comunidade da Rosalina; e Ruan Dantas da Silva, 19, no município de Beberibe. Contudo, seguem foragidos Joel Anastácio de Freitas, 18; e Pedro Paulo do Prado Sousa, 21.

Documentos obtidos pela reportagem, contudo, indicam que Pedro Paulo foi preso em flagrante quatro dias antes da chacina, e foi mantido preso até, pelo menos, o dia 30 de janeiro, quando foi submetido à uma audiência de custódia.

Além deles, duas pessoas são apontadas como partícipes do crime: Ana Karine da Silva Aquino, 23; e Ayalla Duarte Cavalcante, 21, que já responde em liberdade a acusação de ter ajudado os executores a atear fogo em uma caminhonete Hilux, veículo utilizado no dia da chacina.

Com os suspeitos presos, foram apreendidas nove armas, sendo um fuzil, quatro revólveres, três pistolas e uma espingarda; 531 munições; duas granadas; 26Kg de psicoativos e sete veículos. A investigação apontou que os executores saíram da Comunidade da Rosalina em direção ao 'Forró do Gago' e atiraram a esmo.

Na ação, além dos 14 mortos, 18 pessoas foram feridas. Os 14 suspeitos foram indiciados pelos crimes de organização criminosa e pelos homicídios.

(Colaborou João Duarte)

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