Apreendido

Avião será usado a partir de junho

Aeronave, que era utilizada por quadrilha para inserir drogas no Ceará, aguarda apenas por manutenção

00:00 · 17.04.2016 por Levi de Freitas - Repórter
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Aeronave está acomodada no hangar da Ciopaer, na Capital, aguardando utilização ( Foto: Kiko Silva )
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Policiais militares buscavam um suspeito de homicídio quando se depararam com um avião fazendo entrega de droga em Boa Viagem. Na sequência, a aeronave pousou em Canindé, onde o piloto acabou preso ( Foto: Naval Sarmento )

A aeronave monomotor Cessna-210, modelo Centurion II, prefixo PP-FFU, apreendida há um ano pela Polícia, estará à disposição da população a partir do próximo mês de junho. A previsão é da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que herdou o avião.

De acordo com o relações públicas da Ciopaer, tenente-coronel Marcus Costa, há ainda questões burocráticas que, se resolvidas com agilidade, poderão antecipar a utilização do avião.

"Já foi finalizada a licitação de combustível, o contrato está feito, assinado e publicado. O de manutenção está na fase final, faltam apenas dois passos, assinar e publicar no Diário Oficial do Estado (DOE). Faltam ainda o seguro obrigatório, que foi solicitado e o contrato está para assinatura e publicação. Estima-se que os passos levem mais duas semanas, e a aeronave possa então entrar em manutenção em maio. E, no início de junho, esteja pronta para operar", disse. Conforme relatou o oficial, a Agência Nacional de Aviação (Anac) já realizou a transferência da aeronave particular para o Poder Público.

Apreensão

Em 14 de abril do ano passado, a Polícia Militar realizou a apreensão de aproximadamente 400 quilos de cocaína em Boa Viagem e em Canindé, distantes 217Km e 120Km, respectivamente, de Fortaleza.

Naquela ocasião, foram presas três pessoas. Segundo os autos, "os acusados Cléber Paulo da Silva e Jefferson Domingos Franco, presos em flagrante, importaram e transportaram, de forma planejada e em conjunto, 405,5 kg de droga da Bolívia para o Ceará, a bordo de aeronave adquirida com recursos oriundos de um contexto carregado de indícios de ilicitude, portando arma de uso permitido sem autorização do órgão competente. Ao passo que, Antônio Batista Lima Júnior, também preso em flagrante, recebeu e guardou 30 kg de crack no mato deixados na pista de avião de Boa Viagem pelos acusados anteriores".

Policiais militares de Boa Viagem procuravam por um suspeito de homicídio quando se depararam com o avião deixando o campo de pouso em Boa Viagem e Antônio Batista, que guiava um Fiat Doblô, recolhendo a droga deixada lá.O veículo precisa passar por manutenção, já que está parado há bastante tempo. A licitação para isso já foi realizada e está em fase final de entrega de documentação para a oficina vencedora poder trabalhar.

Foi dada continuidade às buscas e os outros dois homens foram localizados. Cléber, que era o piloto da aeronave, havia pousado o veículo em Canindé e pegou um táxi para comprar gasolina aditivada, pois o monomotor estava de tanque vazio.

Dentro do avião, os policiais encontraram mapas indicando uma rota internacional do tráfico de drogas. O material partiria da Bolívia e do Paraguai, chegando até o Ceará e o Piauí.

O caso foi em seguida transferido para a Polícia Federal, em Fortaleza, que instaurou o inquérito policial e enviou à Justiça.

Cléber era piloto autorizado pela Anac desde o ano de 2009, com licença válida até 2018. Ele é proprietário de uma empresa de acessórios para aviação.

Sem julgamento

Já se passou um ano da prisão em flagrante do trio e, até o fechamento desta edição, não havia sido marcada a data para julgamento dos réus.

Conforme o advogado Karlus André Holanda Martins, que representou a defesa de dois dos réus, eles permanecem presos.

A Justiça Federal informou à reportagem que "acontecerá uma audiência ainda, marcada juntamente com o Ministério Público, para iniciar o julgamento".

Durante este período, o réu Antônio Batista entrou com dois pedidos de relaxamento de prisão. O juízo da 23º Vara Federal negou em ambas as vezes a solicitação, mantendo-o preso.

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