efeitos no ceará

Após racha entre facções, Sejus não realocará presos

01:00 · 29.05.2018
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Os agentes penitenciários das unidades prisionais do Estado do Ceará devem receber novos equipamentos a partir de segunda (4) ( Foto: Nah Jereissati (18/5/2017) )
O rompimento ocorrido no Estado do Amazonas entre as facções criminosas Família do Norte (FDN) e Comando Vermelho (CV) – que costumavam até recentemente ser parceiros em negociações – não terá, pelo menos inicialmente, impacto nas realocações de detentos, batizados nesses agrupamentos, do Sistema Penitenciário cearense.

“Aqui no Ceará não vai haver realocação porque não tivemos nenhum atrito até agora”, afirmou a titular da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus), Socorro França, durante evento de entrega de novos equipamentos para 2.136 agentes penitenciários efetivos.

De acordo com a secretária, o Governo do Estado já trabalha com a divisão de facções criminosas em determinados presídios; por isso, há um tempo, não se registra crimes bárbaros entre os internos, como “cabeças cortadas” ou “corações retirados”. 

“Muita gente critica que a gente está fortalecendo o crime, mas não é fortalecer o crime é não colocar em risco a vida da pessoa que é o bem maior”, argumenta Socorro França, ao explicar que, no momento em que um preso entra no Sistema, a Sejus já procura saber se há alguma preferência por certa penitenciária em razão das disputas.

Rompimento

Como adiantou o Diário do Nordeste</CF> na semana passada, a ruptura entre a Família do Norte e o Comando Vermelho no Amazonas deve impactar o Ceará em razão de a região litorânea do estado ser rota de escoamento do narcotráfico amazonense. Em entrevista, o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil do Amazonas, Guilherme Torres, disse que já houve vários homicídios em Manaus e no Pará após o rompimento das facções. Conforme o diretor do DRCO, o racha entre os dois grupos ocorreu após dois dos fundadores da FDN descobrirem o plano de Gelson Lima Carnaúba – outro fundador da facção – de tomar o controle da organização criminosa e integrá-la ao Comando Vermelho.

Suporte

A fim de ampliar as condições de trabalho dos agentes penitenciários atuantes do Sistema Prisional cearense, a Sejus fez a entrega de armamentos, coletes e fardamentos na tarde de ontem (28). De acordo com a Secretaria, o investimento total aplicado foi de cerca de R$ 7,6 milhões em equipamentos suficientes para os 2.136 agentes efetivos.

O montante foi obtido a partir do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e de recursos do Governo do Estado: foram R$ 3,74 milhões em armamento; R$ 678 mil em coletes; e R$ 3,21 em novos fardas.

O coordenador do Sistema Penitenciário do Ceará em exercício, Alexandre Leite, pontuou que o material a ser entregue nas unidades a partir de segunda-feira é suficiente para fazer “o básico de um serviço ou escolta”. Segundo ele, com os equipamentos, os novos agentes que estão em processo de conclusão do curso de formação e das normas de procedimento, “têm tudo para tornar o Sistema padrão e disciplinado”, afirmou. 

A secretária Socorro França ressaltou ainda que a chegada de fardamentos, armamentos e coletes motiva os profissionais do Sistema Prisional. “Essa aquisição que a gente fez vai dar a eles uma motivação melhor para trabalhar, não tenho dúvidas”, disse a titular da Sejus. 

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