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5.572 mil armas de fogo apreendidas em 9 meses

São apreendidos 20 armamentos por dia no Estado. No entanto, mortes e roubos continuam aumentando

Nos primeiros nove meses deste ano, também foram realizadas apreensões de armas de grosso calibre como fuzis e metralhadoras ( FOTO: Saulo Roberto )
01:00 · 14.10.2017 por Emanoela Campelo de Melo - Repórter

Junto ao aumento nos registros dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), cresce o número de armas apreendidas no Ceará. Conforme o último levantamento mensal divulgado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), de janeiro a setembro de 2017, foram apreendidas 5.572 armas pelas forças que compõem a Pasta. O total mostra que, em média, são recolhidos 20 armamentos, a cada dia, no Estado.

Quando comparado a iguais períodos dos últimos cinco anos (de 2013 a 2017), o aumento no montante das armas retiradas de circulação é de 23%. As apreensões intensificadas não parecem ser suficientes quando se é lembrado do alto índice de assassinatos. Entre inocentes e suspeitos, só neste ano, já foram perdidas 3.695 vidas no Ceará.

Para o pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luiz Fábio Silva Paiva, a relação entre o total de mortes e aumento nas apreensões revela um sentimento de 'enxugar gelo'.

O especialista explica que enquanto as ações das forças policiais se limitam a apreender o que já está em circulação, os acessos às armas de fogo continuam abertos para os grupos interessados em praticar crimes. Paiva acrescenta que a situação atual do Estado precisa ser enfrentada com mais responsabilidade.

"A política de Segurança Pública do Estado do Ceará considerada pela atual gestão da Secretaria da Segurança Pública como 'operacional', realiza apenas 'mais do mesmo'. Policiais nas ruas, prendendo pessoas, recolhendo armas e apreendendo drogas sem compreender e afetar os sistemas que alimentam os mercados de drogas e armas", destacou o pesquisador.

Trabalho

Neste ano, só na Capital, foram retidas 1.810 armas. Com 295, a Área Integrada de Segurança 6 (AIS 6) lidera na apreensão do arsenal. Nessa AIS estão bairros como Antônio Bezerra, Quintino Cunha e Padre Andrade. Em sequência vem a AIS 7, com 248 retenções de armas.

Conforme dados da Secretaria, segunda, quarta e quinta-feira são os dias da semana com os maiores percentuais de armas apreendidas. A análise estatística e criminal mostra também que o turno mais recorrente para as retenções é o vespertino. Em setembro deste ano, 36,3% das armas foram apreendidas das 12h às 17h59.

Nos primeiros nove meses deste ano, também foram vistas repetidas apreensões de armas de grosso calibre. Muitas delas, inclusive, de uso só permitido ao Exército Brasileiro. O arsenal de maior potência é comumente utilizado nos ataques a agências bancárias no Estado.

Sobre como modificar o atual cenário, Luiz Paiva analisa "é preciso pensar quais são os esquemas que alimentam os mercados locais, em vez de apenas performar uma política de segurança pública que apreende, mas não muda nada".

O major Hideraldo Bellini, comandante da 3ª Companhia do 8º Batalhão da Polícia Militar (3ª Cia/8ºBPM), conta ter percebido que, em 2017, aumentaram as retenções de armas de uso exclusivo, como a metralhadora americana. De acordo com o oficial, também se tornou rotineiro apreensões de pistolas roubadas dos agentes de segurança.

Arsenal apreendido

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