15 mortos no fim de semana - Polícia - Diário do Nordeste

´GUERRA´ URBANA

15 mortos no fim de semana

30.11.2010

Sequência de mortes violentas fez estatísticas aumentarem. Agora, já são 1.648 homicídios, neste ano, só na RMF

Subiu ontem para 1.648 o número de assassinatos na Grande Fortaleza neste ano. Somente no fim de semana foram registrados mais 15 homicídios, no período compreendido entre as 18 horas da última sexta-feira e às 23 horas de ontem (horário de fechamento desta página). Entre os crimes de morte, dois deles tiveram mulheres como vítimas. Os casos ainda não foram esclarecidos.

A sequência de homicídios começou ainda na noite de sexta-feira, quando, por volta de 19h55, Antônio Bruno Mendes Carneiro foi assassinado, a tiro, na Vila Socorro, na localidade de Urucutuba, em Caucaia. Já às 23h28, Deivson Pereira Ricardo acabou sendo assassinado misteriosamente no ´Território da Paz´, no Bom Jardim.

Crimes

No começo da madrugada de sábado, duas mulheres foram baleadas na Rua Estado do Rio, no bairro Demócrito Rocha. Uma delas acabou morrendo no local. Tratava-se da jovem Cleide Mírian da Silva.

Em seguida, a Polícia foi chamada até a Rua Frei Odilon, no bairro Presidente Kennedy, onde populares depararam-se com o corpo de um homem que havia sido assassinado a tiro.

Era um rapaz identificado como Francisco Francleyton dos Santos Ramos. O crime é misterioso. Outro caso a ser investigado é a morte de Iracema de Sousa Marques Lima, 30, cujo corpo foi encontrado dentro de um carro parado na esquina da Rua 34 com a Avenida J, no Conjunto Prefeito José Walter Cavalcante (zona sul)

Iracema foi atingida com vários disparos a queima-roupa e ficou morta na direção de seu automóvel, o Fiesta cinza de placas HYJ-8560. Policiais da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foram ao local e realizaram as primeiras investigações juntamente com o perito Alderley, da Perícia Forense do Ceará (Pefoce).

Há suspeita de um crime motivado por vingança ou ´acerto de contas´ relacionado à exploração de ´caça níqueis´. No ano passado, Iracema teve um sobrinho também assassinado naquele bairro. O caso vai ser retomado, hoje, pela equipe do 8º DP.

Mais casos

Outro homicídio mobilizou a Polícia para o Conjunto São Miguel, em Messejana, onde um adolescente é suspeito de ter assassinado, a golpes de faca, José Costa dos Santos.

Na Rua Princesa Isabel, no bairro Farias Brito (Zona Central), Francisco Fernando de Oliveira da Costa, foi morto com vários tiros, por volta de 15h26 de sábado. A Polícia descobriu que o delito teria sido praticado por um desafeto da vítima, identificado apenas por ´Gordinho´, que está foragido.

Já ás 17h34, o cadáver de um homem, sem identificação, acabou sendo localizado pela Polícia em um matagal às margens da BR-116, na localidade de Jabuti, no Eusébio. No corpo da vítima havia várias perfurações, segundo constatou a Perícia. Meia hora depois, mais um assassinato. Desta vez na Rua Rio Grande do Sul, na Bela Vista, onde Hidaílton Alves da Silva foi executado provavelmente ao reagir contra assaltantes que roubaram sua moto modelo Bros NXR de placa NUS-2693.

O último crime registrado no sábado aconteceu nas proximidades do Terminal de Messejana. Ali, um homem, identificado como Reginaldo Ferreira Câmara, foi achado morto dentro do Corsa de placa HWX-2214. O crime teria sido praticado por dois homens numa moto.

Ontem, mais quatro execuções foram registradas. No Conjunto Nova Metrópole, em Caucaia, Oswaldo de Oliveira Júnior foi assassinado, a bala, dentro de uma churrascaria, por dois desconhecidos.

Sangue

159 pessoas foram vítimas de assassinato somente neste mês de novembro na RMF. No rol das vítimas, figuram os nomes 19 adolescentes. A maioria, com idade entre 15 e 17 anos

DEMANDA

DHPP começa a acumular inquéritos de assassinatos

Inaugurada há menos de três meses, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) tenta esclarecer os crimes de autoria desconhecida. Neste pouco intervalo de tempo, a unidade policial já tem mais de 170 inquéritos instaurados para apontar os autores de assassinatos.

Porém, os delegados e inspetores daquela Especializada enfrentam o silêncio das testemunhas e buscam suprir as informações com o auxílio do trabalho dos peritos da Coordenadoria de Criminalística (CC), da Perícia Forense do Estado (Pefoce).

Violação

Porém, as equipes de Perícia enfrentam também problemas na hora da coleta de vestígios e outros indícios que podem ajudar no esclarecimento dos homicídios e suicídios. O principal deles é a violação do local do crime. Quando os peritos chegam em tais locais, estes já foram alterados por familiares das vítimas, curiosos, repórteres e até pela própria Polícia. O assunto foi discutido, recentemente, em um debate com a Imprensa na sede da DHPP.

FERNANDO RIBEIRO
EDITOR DE POLÍCIA



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