Debates & Ideias

Western Spaghetti

00:00 · 23.06.2018

Foi um gênero muito popular, difundido pelo cineasta Sergio Leone que, aliás, o consagrou mundialmente, e com ele se confunde, depois de estrear na direção de "O Colosso de Rodes", (1960) e prosseguir na mesma linha com o antológico "Por um Punhado de Dólares" (1964), lançando como ator desse novo faroeste o iniciante Clint Eastwood, que se tornaria seu artista predileto em muitas outras películas que dirigiu.

Historiam os cronistas que sendo filho de um industrial do cinema, Leone começou sua carreira aos dezoito anos como assistente de direção em filmes de cineastas importantes, como Vittorio De Sica, Luigi Comencini e Mervyn Leroy, no momento em que decidiu encontrar um cenário ideal para os seus futuros filmes: uma região desértica na Espanha que lembrava o velho oeste americano, quando a temática dos filmes italianos estava voltada essencialmente para as comédias e assim o novo realizador ingressava em outra área, como um dissidente, primeiro especializando em filmes épicos, depois na recriação do velho western.

Segundo Nirton Venâncio, a partir de sua filmografia composta de 13 filmes, "duas grandes obras cristalizaram sua genialidade e estilo, "Era uma vez no Oeste" (C'era una volta il West/Once upon a time in the West), 1969, e "Era uma vez na América", (Once upon a time in America), 1984, onde reconstitui o estilo emblemático norte-americano em um épico gangsterista como nunca Hollywood ousou", a partir da "construção de roteiro e edição perfeitas em módulos narrativos de flashback".

Pontua ainda o crítico: "outros dois filmes encerram o que ele chamava de Trilogia da América, iniciada em 1966, com o ótimo "Três homens em conflito" (Il buono, il brutto, il cativo/ The good, the bad and the ugly)" com uma trilha musical que, ainda hoje, é sucesso nos meios culturais mais sofisticados, acrescento. Penso que os ingredientes desta nova estética do Sérgio são os seguintes: enredo denso, narrativa longa, sequências extremadas (o violento era especialmente cruel, o belo era demasiadamente belo e assim por diante) seguida da riqueza de detalhes, que expõe também o lado sensorial de seus personagens. Além disso, cenários tristes de onde surgiam seus "heróis empoeirados" (nada lembrando os cowboys assépticos do western americano).

Cor exuberante. Trilhas sonoras inesquecíveis, talvez as melhores até hoje, assinadas pelo maestro Ênio Moricone. E atores ícones como o próprio Clint Eastwood, Hery Fonda, Jason Robards, Roberto De Niro e beldades como Jannifer Connelly e Cláudia Cardinalle, que ganharam o mundo pela beleza estonteante. Sem dúvida, foi um dos mais brilhantes cineastas de todos os tempos, ao criar um estilo próprio de expressão, de cujo legado não faltaram lances de pura genialidade.

É visível, por exemplo, a sua influência em Quentin Tarantino e tantos outros realizadores da nova geração de cineastas.

DURVAL AIRES FILHO
Desembargador

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.