Artigo

Velhos tempos

00:00 · 01.06.2018 / atualizado às 00:38

Como tenho saudade da minha terra querida, Caxias (MA), berço de minhas ilusões desfeitas, lugar de minhas travessuras, morada dos meus primeiros amores e matriz nutridora de minha personalidade, onde deixei os meus passos, as minhas amizades e o meu coração. Quando penso em ti, renovo a esperança do eterno recomeço contida nas palavras do poeta norte-americano T. S. Eliot: "O fim de toda a nossa busca. Será chegar ao lugar onde começamos. E ter a sensação de descobri-lo pela primeira vez. Recordo também, os dez anos que ali trabalhei como funcionário do Banco do Brasil, escola de civismo e celeiro de inteligências privilegiadas, onde me formei, onde lapidei o meu caráter e engrandeci minha vida.

Em um dispositivo de memórias, surge a imagem das grandes mesas com inúmeras gavetas, onde se guardavam os documentos que teriam curso no dia seguinte. O principal instrumento de trabalho era a máquina de escrever, além dos emaranhados de papéis, canetas, borrachas, perfuradores, grampeadores, réguas, clipes, carimbos e almofadas. Tudo ficou para trás, presos ao passado distante.

Também ficou no pretérito, uma existência inteira, momento de grandes expectativas. Foi nesse cenário que floriram os sonhos sempre azuis da mocidade. Agora, com a vida pronta para o que der e vier, os passeios nas praças, nos shoppings, o cooper diário, o sono à tarde, o tempo sossegado para o jornal, outros afazeres, sinto que nada substitui, nada é igual aos velhos tempos, pois enquanto executo essas atividades a alma incontida exclama por dentro: Oh! Que saudade que tenho os velhos tempos!

Antônio Cruz Gonçalves
Empresário

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