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Um olhar para o Ceará em 2050

00:00 · 07.10.2017

Não há melhor forma de assegurar certas garantias do que olhar o hoje e planejar-se para o futuro. É este o objetivo do "Ceará 2050", um plano que tem atraído todos os segmentos da sociedade ao se verem fascinados com a ideia de contribuir com suas experiências para a feitura de tão relevante trabalho.

Os idosos de 2050 têm, hoje, acima de 22 anos, e em sua maioria são mulheres. Esses jovens, nascidos entre as décadas de 1980 e 1990, já nasceram conectados com o mundo digital e suas tecnologias. Desenvolveram certa independência, pois acham todas as respostas em seus smartphones.

São questionadores, desafiadores e não aceitam quaisquer explicações. Paira sobre eles uma certa superficialidade nas preocupações com os problemas sociais e ideológicos.

É uma geração interessante, empreendedora, desapegada, flexível, sabedora do valor da troca de informações e das experiências. Portanto, é muito provável que serão idosos bem resolvidos, desde que os mais velhos de hoje tenham condições de lhes assegurar as garantias de direitos conquistados, o suporte das leis e das experiências exitosas.

É certo que as demandas atuais da população idosa ainda estão muito longe de serem consideradas satisfatórias e tal represamento tende a se agravar, pois todos os órgãos que lidam com projeções têm alertado para o aumento vertiginoso da população idosa no mundo.

O Brasil já tem uma legislação garantidora de proteção e direitos da pessoa idosa e tem assento nas importantes mesas de negociações como signatário de tratados e planos internacionais que denunciam a importância e urgência da adoção de políticas efetivas, eficazes e duradouras para garantir o envelhecimento digno.

O PAI - Programa de Ação Integrada para o Aposentado, consciente de seu papel na inclusão e discussão de pautas de interesse dos idosos, não poderia deixar de oferecer sua contribuição, fundamentada na visão prática e realística do aposentado idoso, a quem serve e convive, para apresentar suas demandas e expectativas que, somadas a outras igualmente valiosas, possam servir de substrato ao resultado que se deseja chegar em 2050.

Enquanto todas as demandas, tais como as dos idosos, crianças e adolescentes, combate à violência e outras forem tratadas como situações isoladas e não estiverem inseridas nos planos de governo em todos os níveis, promovendo mudanças nas relações de trabalho, educação, cultura e segurança, dentre outras, todo o esforço poderá vir a representar uma grande frustração.

Projetar um cenário para o Ceará em 2050 significa iniciar, imediatamente, a tão necessária integração entre leis e demandas, reconhecendo as desigualdades sociais e suas distorções.

Guirlanda Ponte. Analista de gestão pública

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