EDITORIAL

Turismo em ebulição

00:00 · 31.03.2018

O turismo no Brasil se encaminha para ter um ano de resultados compensadores, na esteira da boa fase da economia global e da recuperação nacional. Os históricos resultados de janeiro apontam para um novo degrau no setor, cujo potencial de geração de renda e emprego é imenso. Informou o Ministério do Turismo que os visitantes estrangeiros produziram, no primeiro mês de 2018, a receita de US$ 779 milhões - em torno de R$ 2,5 bilhões -, o maior valor para janeiro já registrado, alta de 17% sobre igual período de 2017.

Foi ainda o terceiro maior montante entre todos os balanços mensais, os quais começaram a ser contabilizados em 1990. Somente em junho e julho de 2014, o setor registrou cifras mais altas, obviamente, em razão da ostensiva presença de turistas internacionais nas capitais que sediaram a Copa do Mundo daquele ano. Respectivamente, em junho e julho de 2014, foram injetados US$ 793 milhões e US$ 785 milhões.

Impressiona que, mesmo com a realização de um evento extraordinário, considerado o principal do mundo esportivo, os números daqueles meses se aproximam dos assinalados em janeiro deste ano. Sinal de que o Brasil se consolida como destino de viagem, não obstante a série de entraves sociais e de infraestrutura que impede o setor de ampliar e ser ainda mais forte.

O País está entre os dez que mais faturam com turismo, embora a atividade não seja considerada central na composição do PIB nacional. Portanto, não existe grande dependência econômica sobre o setor, algo que se observa em nações como Tailândia, Grécia e até México. Ainda assim, o Brasil tem uma enorme margem de crescimento turístico disponível. Suas conhecidas mazelas sociais desmotivam a afluência de um número ainda maior de visitantes.

A violência é comumente apontada como fator impeditivo de vinda ou retorno. Críticas quanto à infraestrutura urbana deficitária também são usuais.

Enquanto os problemas crônicos aguardam solução, o Brasil abriu a solicitação de vistos eletrônicos para visitantes dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão, com o objetivo de facilitar o processo burocrático e estimular a chegada desses estrangeiros. Os estadunidenses estão em segundo lugar no ranking das nacionalidades que mais visitam o Brasil, abaixo somente dos argentinos. Em média, 570 mil deles desembarcam aqui anualmente.

Para o Ceará, estado que desponta como destaque turístico e "hub" de conexões aéreas, a liberação do visto eletrônico pode ser benéfica. Embora receba muitos turistas de outros estados e de nações europeias (predominam italianos, franceses e portugueses), ainda não está entre os destinos preferidos dos norte-americanos, o que pode mudar a partir das novas regras. O governo estadual acredita que a mudança deverá impulsionar novos voos provenientes da América do Norte para Fortaleza.

Há que se ressaltar, contudo, que o processo de obtenção de visto que os cidadãos brasileiros precisam cumprir para entrar corretamente nos Estados Unidos continua o mesmo, dispendioso e deveras burocrático. Espera-se que, eventualmente, haja reciprocidade.

O Ceará pode usufruir maciçamente deste período de alavancagem do turismo nacional, valendo-se de sua vocação para potencializar a economia local. O Estado vem superando a concorrência de outras unidades da Federação, fechando negócios alvissareiros e atraindo cada vez mais turistas.

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