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Troca esotérica

00:00 · 03.07.2018

Meados do século passado. Comum fazia-se encontrar, em áreas da Capital, acampamentos de pessoas. Nos muitos terrenos públicos ou privados viam-se armadas tendas e barracas de lonas coloridas, com utensílios domésticos, além de estacionados veículos, alguns do tipo trailer. Eram os ditos ciganos. Segundo eles, de estirpe galega, europeia. Já ao pensar das populações locais, bandos de aventureiros dissimulados e desocupados. Nem bem se instalavam, os moradores das cercanias ficavam em polvorosa. Animais desapareciam. Objetos caseiros também, pois à época, portas e janelas das residências mantinham-se abertas. Até sumiço de crianças queixavam-se ocorrer.

O subdelegado e soldados do destacamento, de quando em vez, acionados pelas vítimas, empreendiam vistorias naqueles abarracamentos. Acontecimento inusitado e comentado deu-se no bairro Demócrito Rocha. Na Rua Minas Gerais esquina com a Rua Sergipe, residia dona Mirian, tida como praticante de Ciências Ocultas. Dizia-se astróloga, médium vidente e cartomante. Divulgaram que uma cigana, com vestimentas de cores e desenhos chamativos, adornada com colares, pulseiras, anéis, pingentes, brincos, turbantes e miçangas outras, anunciou-se e ofertou seus dotes quiromânticos. Diante de vários consulentes da esotérica, registrou-se trocas de amabilidades, com mútuos reconhecimentos de poderes etéreos recíprocos e aceitos oferecimentos de atividades. Mirian deitou as cartas para a cigana e, esta, passeou nas linhas enrugadas das mãos daquela. Certamente, percorreram "caminhos tortuosos", bordão costumeiro das adivinhas.

 

Geraldo Duarte
Advogado e administrador

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