Artigo

Silêncio do amor

00:00 · 17.06.2017

O grito do amor deve ser ouvido até mesmo no sôfrego silêncio da mente. Sussurro, sorriso, suspiro, sopro, cheiro, tato; tudo dele precisa ser escutado; ainda mais quando ele pode se tornar a chave da solução. Assim, a alegria verdadeira será encontrada. Essa energia maior da vida nunca deve se esconder. Que seja achada onde não se imagina existir.

Precisamos vê-lo num ruído ao longe, na brisa de um lago, numa folha cainte, no sol, no calor, no frio, nas paragens que despercebemos, em tudo que lembra a alegria, e diante da energia da mansidão e do querer.

No silêncio do amor se obstruem as resoluções e os meandros da inconsciência ficam flamejados e incandescentes por fuga e solidão. Esse silêncio pode estar no medo e até mesmo na coragem, mas deve ser sacudido quando o labirinto da mente está encarcerado. Interessante que quanto mais longe se deixa o amor, menos parece que ele pode ser descortinado, e algumas vezes, a morte chega antes da sua redescoberta.

No silêncio do amor há uma encruzilhada, onde os afetos ficam nas paralelas do bem ou do mal. Agradecer e perdoar não rimam com esse silenciar, entretanto, ainda que existam adversidades, na mente serena, o amor pode ser salvador e restaurador.

Calar o amor pode exacerbar a fala ou o triunfo do ódio. Vigiemos. O amor pode deixar marcas, mas tem que ser renovado no céu da paciência, não no da exigência. Que existam pessoas que possam pescá-lo, com a isca da razão. Em muitos sofredores ouvimos o assovio dele, como numa quebra do silêncio; mesmo na satisfação, ou na noção de desejos inalcançados. Lucidez e mudanças amigas do amor, algumas vezes, se enjaulam no ventre da loucura, ou no cerne da obviedade. Ode ao amor.

Russen Moreira Conrado - Médico e psicoterapeuta

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