EDITORIAL

Semeando o futuro

19:41 · 31.03.2012
Uma cidade sem vegetação, sobretudo uma grande metrópole da dimensão de Fortaleza, está fadada a um sério e progressivo processo de deterioração do ar que respiram seus habitantes, com todas as danosas consequências à saúde e ao clima acarretadas por essa agressão ao meio ambiente. Consciente de sua responsabilidade junto aos administradores e habitantes da Capital, o Grupo Edson Queiroz lançou a campanha: "Plante uma árvore. Semeie esta ideia!". Tem como premissa a campanha institucional a certeza de que todo cidadão, quaisquer que sejam seu grau de instrução, classe social ou coloração política, tem a obrigação de intervir e participar nesse processo vital, no qual estão em jogo os interesses presentes e o próprio futuro da população.

Apesar de haver possuído, há apenas algumas décadas, uma arborização urbana proporcionalmente comparável às existentes em cidades como Recife e São Paulo, com praças e ruas onde o acolhimento da vegetação e a presença da sombra podem ser constatados em fotografias de época, esse verde foi impiedosamente degradado ao longo dos últimos anos. Contribuíram para isso a falta de um órgão específico para cuidar do setor, a insensibilidade de algumas administrações e a própria falta de cuidados dos fortalezenses, geralmente alheios à importância do verde na preservação de sua própria qualidade de vida.

Mesmo quando ocorrem medidas no sentido de resguardar as árvores existentes, acontecem falhas graves em relação aos procedimentos adotados, sobretudo no tocante à poda, por vezes, realizada de maneira errônea e, desse modo, tornando-se causadora da posterior morte da árvore.

Com a percepção de que Fortaleza se vem tornando, de maneira célere, um centro urbano de alta densidade demográfica, lamentavelmente caracterizado por injustificável descaso a respeito de sua vegetação, a criação do Movimento Pró-Árvore representa um suporte louvável com o objetivo de conter certas formas abusivas de deterioração e destruição do meio ambiente, entre as quais avulta a especulação imobiliária, que geralmente tem como alvo as últimas reservas verdes da Capital. Exemplos gritantes desse processo invasivo se encontram na área circundante do Parque do Cocó e no outrora verdejante bairro da Maraponga.

Quatro tentativas de recuperação da cobertura vegetal não prosperaram por causa da ação de vândalos, que destruíram as mudas, pela falta de aguação e da própria consciência de proteção ao verde. Encontra-se em andamento, na órbita da Prefeitura, o levantamento de um inventário arbóreo de Fortaleza, para identificar as espécies que melhor se adaptam às condições locais e as áreas adequadas para seu plantio.

Na recente abertura da Festa Anual da Árvore, o governador Cid Gomes se comprometeu a iniciar o reflorestamento das margens do Rio Maranguapinho, dentro do contexto da plantação em massa de mudas. O projeto abrangerá 73 municípios cearenses. Exemplos estimulantes nesse sentido têm vindo do interior do Estado, por iniciativa das populações interioranas, tal como acontece na região do município de Crateús, onde se desenvolve um intenso plantio do bioma caatinga, típico da vegetação local.

Dar atenção à necessidade do verde e, também, saber como se procede para protegê-lo e expandi-lo constituem itens básicos do pleno exercício da cidadania e de uma produtiva participação como ser social.

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