editorial

Segurança nos bancos

00:00 · 11.09.2017

Os ataques a bancos nas cidades do Interior se repetem em diferentes regiões do País. A cada nova ação ousada, perpetrada por grupos malfeitores, propõe-se o debate acerca de quais medidas devem ser adotadas a fim de evitar que o problema se propague. Além de os atentados contra as instituições financeiras aterrorizarem a população, também provocam enorme impacto no cotidiano de quem reside nos municípios vitimados, porque é demorado restabelecer o funcionamento normal daquela agência destruída, total ou parcialmente, pela explosão criminosa. Dessa forma, os moradores, para ter acesso a dinheiro, se veem obrigados a fazer grandes deslocamentos para cidades vizinhas que ainda não tenham tido agências avariadas ou destruídas.

Até o fim de agosto, o Ceará registrou 41 ataques contra as instituições financeiras. Na comparação com igual período do ano passado, houve redução de 18% no total de atentados, segundo a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), mas o número ainda é alto e continua a despertar preocupação das comunidades. Em 31 municípios cearenses, o atendimento bancário está prejudicado devido às explosões. Em 18 cidades, as agências estão com as atividades completamente paradas, enquanto em outros 13 municípios, o funcionamento ocorre somente de forma parcial.

A magnitude dos danos se apresenta ainda mais grave quando se calcula que aproximadamente 750 mil pessoas vivem nesses lugares afetados e se estima que a maioria precisa viajar até 60 km para buscar atendimento.

Ao verificar o mapa de cidades acometidas pelas quadrilhas neste ano, observa-se que os assaltos acontecem em diversos pontos do território cearense. Uma ação recente aconteceu em Lavras da Mangabeira e, em março, Icapuí também foi alvo de crime semelhante.

A distância entre os dois municípios é de 400 km. Enquanto o primeiro integra a Região Metropolitana do Cariri, o segundo fica próximo à faixa litorânea do Estado. Ou seja, a vulnerabilidade a esse tipo de crime não está restrita a uma só área; está generalizada.

Ao lado das operações policiais que reprimem os bandidos, o governo estadual pretende introduzir medidas de prevenção ao crime e, nesse sentido, enviou projeto de lei à Assembleia Legislativa. A proposta acrescenta várias obrigações de segurança às instituições financeiras para que sejam cumpridas de modo uniforme, independentemente da região onde está instalada a agência bancária.

Entre essas medidas estão porta eletrônica, giratória e individualizada, equipamento de retardo na fechadura, vidros laminados resistentes a impactos, além de sistema de prevenção com imagens, em tempo real, interligado com a central de monitoramento localizada na sede de empresa especializada e na Polícia Militar. O projeto de lei também obriga os estabelecimentos a contratarem empresas de vigilância por 24 horas, pois, na maioria, a segurança das agências, fora dos horários de funcionamento, é feita pela força policial da cidade.

O investimento dos bancos em tecnologia mudou a relação do cliente com tais instituições. Se anteriormente era necessário ir até uma agência mais próxima para solucionar alguma pendência, facilidades como a internet banking e os aplicativos promoveram redução no volume de transações presenciais. Tais cuidados com a inovação tecnológica devem ser repassados também para desenvolver aparatos modernos que elevem para outro patamar os trabalhos de inteligência e segurança dos bancos.

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