editorial

Segurança digital

00:00 · 15.07.2017

Após vários países assistirem a ataques de vírus com potencial para afetar desde o sistema de saúde até a rede elétrica, percebeu-se que a cibersegurança se tornou questão de interesse público. Estima-se que esse mercado movimenta mais de R$ 225 bilhões no mundo. Assim como outras ameaças no "mundo real" obrigaram as autoridades a aprimorar os mecanismos de defesa, com o aumento da dependência do universo "on line", o combate aos delitos digitais passou a demandar investimentos maciços capazes de garantirem proteção satisfatória a empresas, hospitais, bancos, aeroportos e outros alvos dessa manipulação criminosa.

Embora algumas nações hajam desenvolvido ferramentas de proteção, a maioria tem ações incipientes, abrindo caminho para que os atentados se repitam. A União Internacional de Telecomunicações, vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou ranking global com avaliação do nível de cibersegurança em 193 países. Em metade deles, não há nenhuma lei específica relacionada ao tema. No levantamento, o Brasil aparece apenas na 38ª colocação. Apesar de estar à frente dos vizinhos na América do Sul, como Argentina (60º), Chile (80º) e Paraguai (86º), o País está nove posições atrás de Uruguai (29º). Na liderança, está Cingapura, seguido dos Estados Unidos, Malásia e Omã.

A pesquisa utilizou como critérios desde a avaliação sobre como se dá o compartilhamento de informações com autoridades estrangeiras até saber se existem instituições destinadas a monitorar possíveis ataques. O levantamento aponta que há, no Brasil, três grupos públicos de trabalho cujos objetivos são prevenir e enfrentar violações digitais. O estudo indica também que a Polícia Federal participa de um sistema de comunicações desenvolvido pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), para integrar as forças globais de segurança e permitir que cada instituição possa fornecer informações para conter os crimes.

Especialistas defendem que o aumento no rigor da legislação teria pouco a contribuir no objetivo de evitar ações criminosas com essa dimensão. Muitos sugerem que resposta mais efetiva seria a criação de conselho multissetorial que reunisse representantes da comunidade científica, de órgãos estatais e da sociedade. A finalidade do grupo se voltaria a discutir a adoção de padrões de segurança e a debater formas de acelerar o tempo de resposta às ameaças.

Com as falhas notórias no trabalho de monitoramento, as autoridades foram surpreendidas em maio último, quando criminosos atacaram computadores de empresas e órgãos governamentais do Brasil e de mais uma centena de países. O atentado ocorreu por meio de um vírus identificado como do tipo "ransomware", o qual promove o sequestro de dados e cobra resgate para a liberação do sistema. Na ocasião, muitas máquinas não haviam passado por atualização lançada pela Microsoft aproximadamente três meses antes para corrigir a vulnerabilidade culpada por tornar grandes corporações alvos fáceis da ação.

Em junho, nova onda de infrações cibernéticas voltou a ocorrer, mas somente a Europa foi afetada. A Ucrânia foi a principal vítima, que teve aeroportos, bancos e escritórios do governo com os serviços comprometidos. A partir de ambos os atentados, deve-se depreender que o futuro chegou e, assim como a busca incessante por tecnologias se tornou habitual neste momento, é igualmente fundamental estimular o aperfeiçoamento da estrutura de proteção que cerca cada uma das inovações.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.