Debates e ideias

Salvemos os idosos

00:00 · 02.06.2018 / atualizado às 00:34

Na sabedoria oriental, o idoso é personagem central da cultura e da sociedade. Responsável pela consolidação da família, contribui para a formação do jovem e da família. Na sociedade ideal, evocada por Simone de Beauvoir, não existiria velhice. Seria uma fase da existência diferente da juventude e da maturidade, dotada de equilíbrio próprio ofertando uma ampla gama de possibilidades.

Considerando-se o brilhantismo e a expressão intelectual de Picasso, Einstein e Sartre. O homem idoso participa da ciência, da história e da sociedade. É necessário compreender suas ações diante de um maravilhoso que aos poucos se torna inatingível.

Objetivando isso, ao lado da Geriatria, desenvolve-se a Gerontologia, que estuda os processos normais do envelhecimento dentro do contexto sociocultural, enfatizando três planos: o biológico, o psicológico e o social, considerando a senescência um período normal da vida.

Nesta fase da vida as pessoas deverão ter alcançado o grau máximo de ascensão em suas profissões e relações. Já experimentaram desilusões, desalentos e decepções, demonstrando exaustivamente capacidade e realizações. É a fase em que o grande desafio não é a luta desenvolvimentista, o progresso arrojado e as vitórias compulsivas. Mas sim, o equilíbrio, a reflexão e a estabilidade das conquistas.

Nos países de tradição, estabelecendo diretrizes de bem-estar e combate à discriminação de idade. As pessoas idosas se mantêm participantes do desenvolvimento e nunca como espectadores na sociedade em que vivem, à qual dedicaram todas as energias. Ao invés de considerá-los incapazes e inativos devemos valorizá-los descortinando novas perspectivas. Resgatemos nossos idosos, conquistemos os que ainda estão conosco, incentivando-os ao lazer, preparando uma geração de idosos saudáveis, longevos, felizes e participantes de uma sociedade com igualdade e fraternidade. Assim estaremos assegurando o nosso próprio futuro.

Havendo estabilidade no trabalho, na família e no lazer. As crises da meia-idade são mais amplas quando existe doença grave, morte de cônjuge, sintomas depressivos e ansiosos. A Geriatria pediátrica. A prevenção do envelhecimento patológico situa-se na infância, medidas de orientação aos hábitos alimentares, exclusão dos vícios sociais (álcool, fumo e drogas), combate ao estresse, exercícios físicos, esportes, lazer e atividades escolares.

O bem-estar físico-psíquico e social notadamente na área afetiva. A família gratifica a existência nos amplos sentidos. Este período pode coincidir com a saída dos filhos de casa, deixando sem identidade, a síndrome do ninho vazio. O Lar Torres de Melo é exemplo sublime e dignificante na assistência aos idosos.

Os ciclos vitais terminam com a senescência. Após realizações brilhantes e superiores, o ser humano chega ao fim da vida deixando neste mundo contraditório e letal obras gloriosas e fecundas, como a existência consagrada com a família, com a religião no plano espiritual. A fé e o pensamento cristão nos conduz ao encontro espiritual com nossos pais através do Senhor, nos gratificando pelo sublime passado com amor, compreensão, orientação e solidariedade com nossos filhos. Assim estaremos unidos eternamente. Filhos, irmãos, pais e família, com a vida divina. O segredo de uma longa-vida. A vida eterna, com Deus.

JOSUÉ DE CASTRO
Médico, professor e escritor

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