editorial

Rota internacional

00:00 · 11.04.2018

Muito se tem falado sobre o impacto econômico do crescimento turístico do Ceará, com a adição de importantes rotas aéreas domésticas e internacionais. Não restam dúvidas de que a transformação do Estado em um centro de conexões de viagens atrairá um contingente extraordinário de visitantes, o que tornará ainda mais robusto o potencial turístico que corre nas veias desta terra. Começam a surgir projeções cada vez mais factíveis acerca das repercussões concretas que esse processo deverá gerar. A mais recente delas é da Secretaria do Turismo do Estado (Setur).

De acordo com a Pasta, 330 mil estrangeiros devem passar pelo Ceará neste ano. Caso consolidado, o número representará um expressivo crescimento de 20% em relação ao resultado assinalado no ano passado, quando o contingente foi de 274 mil pessoas.

A expansão estimada é ainda mais significativa se for levado em conta o fato de que várias rotas ainda não entraram em operação. Os voos das companhias Air France e KLM, por exemplo, os quais conectarão, de forma direta, Fortaleza a Paris e Amsterdã, iniciam-se apenas no começo de maio. A partir desta data, é provável que o Ceará multiplique o recebimento de cidadãos europeus provenientes não só da França e da Holanda, como de outras nações do Velho Continente. Quando as frequência estiverem funcionando a pleno vapor, a movimentação de estrangeiros deverá ser ainda maior. Conforme a Setur, para 2019, a perspectiva é de ampliação de 50% no fluxo de turistas do exterior, em relação ao que se tinha em 2017. Chegariam, portanto, em torno de 411 mil visitantes internacionais no próximo ano, segundo prevê o governo estadual.

Ademais, é possível que, rapidamente, o panorama básico da origem dos turistas mude. Hoje, a maior parte dos que aterrissam na Capital cearense vem de Portugal. A lista segue com França, Itália, Argentina, Alemanha e Suíça. Em decorrência das facilidades por conta dos novos voos, tal ranking tende a sofrer alterações, as quais seriam benéficas ao Ceará, na medida em que ele se tornaria destino de uma quantidade cada vez mais variada de nacionalidades.

Mas não é só a Europa que, em termos de logística, ficará mais próxima do Ceará. O Estado ganhará também frequências novas de e para os Estados Unidos. Em novembro, haverá novas rotas para Miami e Orlando, destinos bastante procurados pelos brasileiros.

Trata-se de um país que ainda se apresenta timidamente nas ligações turísticas com o Ceará, mas o potencial de crescimento é enorme. Em números absolutos, os norte-americanos estão entre os que mais viajam no mundo. Desse modo, configuram-se um relevante público-alvo para a promoção turística local. A recente facilitação para a obtenção de visto brasileiro por parte dos estadunidenses pode acelerar esse processo.

Ao se tornar um hub de conexões aéreas, o Ceará não será apenas um ponto de passagem para os visitantes. Sua economia, ancorada majoritariamente no comércio e nos serviços, se beneficiará de maneira consistente com o número maior de turistas brasileiros e internacionais. Muitos destes gastarão na rede hoteleira, no setor de alimentação, farão compras, conhecerão as inúmeras atrações de que o Estado dispõe, enfim, ajudarão a engrenagem econômica cearense a girar, beneficiando segmentos que geram milhares de empregos. Há que se otimizar a infraestrutura local, a fim de que a experiência de conhecer o Ceará seja completamente satisfatória.

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