Editorial

Retomada da poupança

00:00 · 26.06.2018

Os depósitos na caderneta de poupança durante o mês de maio superaram os saques em R$ 2,4 bilhões e deram continuidade à trajetória positiva verificada em março e abril, quando a entrada líquida de recursos também ficou acima das saídas. A recuperação da mais tradicional modalidade de aplicação adotada pelos brasileiros reflete como as famílias, mesmo em meio às recentes altas da conta de luz, dos combustíveis e de outras despesas regulares, têm conseguido garantir reservas financeiras.

Ademais, esses dados sinalizam bons ventos para o mercado imobiliário, pois o dinheiro depositado no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) é utilizado, majoritariamente, para o custeio de financiamentos habitacionais. O setor tem enfrentado obstáculos devido à baixa demanda por imóveis e à limitada oferta de crédito.

Conforme comunicado do Banco Central, no acumulado de janeiro a maio, os depósitos ficaram acima das retiradas em R$ 1,71 bilhão. Até abril, o montante ainda era negativo. O resultado nos primeiros cinco meses de 2018 é o melhor para o período desde 2014. A manutenção da taxa básica de juros em 6,5% ao ano tem sido valiosa para conferir maior atrativo à modalidade. A correção das cadernetas de poupança, conforme as regras em vigor, sempre será equivalente a 70% da Selic se ela estiver abaixo de 8,5% ao ano.

No patamar atual da Selic, embora o rendimento oferecido pela poupança esteja apenas em torno de 0,37%, segundo cálculo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), ainda assim, ela proporciona vantagem superior em relação à maioria dos fundos de renda fixa, que cobram elevadas taxas de administração.

A manutenção da inflação sob controle, todavia, deve ser o fator mais determinante para que o SBPE permaneça no itinerário ascendente no decorrer dos próximos meses.

Em 2015 e 2016, no ápice da crise, a disparada nos preços comprometeu o orçamento das famílias, obrigando-as a utilizarem todos os recursos que armazenaram durante o tempo de bonança para tentar fechar as contas no azul. À época, os saques, repetidamente após cada ciclo de 30 dias, superaram a captação. Neste ano, os indicadores inflacionários se mantinham estáveis, mas a paralisação na malha rodoviária intensificou a pressão sobre eles. Outro componente é a alta do dólar, pois vários produtos comercializados no Brasil dependem de matérias-primas importadas, e o custo disso termina por ser repassado ao consumidor final.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o indicador que serve como prévia da inflação oficial subiu 1,11% em junho. A variação é a maior desde 1995, quando foi registrada alta de 2,35%, e se refere exatamente ao período no qual houve a greve dos caminhoneiros que provocou uma alta dos preços, em especial, dos alimentos e combustíveis.

Além de estender o leque de incentivos à poupança, a fim de ampliar sua competitividade, também é recomendável aprimorar a educação sobre gestão de orçamento pessoal e familiar direcionada aos consumidores, a partir das salas de aula. A população precisa estar capacitada a realizar o planejamento que a permita, mesmo em época de instabilidade econômica, investir na preservação de suas reservas financeiras, para sobreviver sem constrangimentos nos momentos de dificuldade.

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