editorial

Resultado alentador

00:00 · 14.05.2018

O lucro trimestral da Petrobras, obtido neste ano, no valor de R$ 6,9 bilhões, é o melhor para igual período desde 2013. O resultado deve ser considerado alentador por traduzir o acerto das medidas que têm sido tomadas para a recuperação da estatal. Todavia, não deve ser avaliado como sinal do fim das graves turbulências na qual a companhia mergulhou, porque o contexto do comércio internacional foi o responsável por explicar grande parte desse lucro. De fato, ainda resta uma extensa lista de problemas a serem solucionados até a empresa voltar ao patamar anterior à crise

Com a deflagração da Operação Lava-Jato e as quedas sucessivas no preço dos barris de petróleo no comércio internacional, a Petrobras se aproximou do colapso e se transformou em ícone da malversação dos recursos públicos. Passada essa fase aguda, ela está próxima de voltar a ser a empresa mais valiosa da Bolsa brasileira, posto que não ocupa desde o segundo semestre de 2014.

Em 2018, a ação ordinária subiu 60%, e seu valor de mercado atingiu a cifra de R$ 358,9 bilhões, na semana passada. A alta no preço do petróleo garantiu o impulso para que a estatal tivesse trimestre proveitoso. O valor do barril ultrapassou a marca de 75 dólares e deve se manter nesse patamar. Para se ter ideia da representatividade desse montante, é necessário destacar que, há, aproximadamente, dois anos e meio, esse preço era menos da metade da cotação atual.

Existe mais de uma causa apontada por especialistas para explicar o aumento no preço do petróleo. Uma delas é a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear firmado com Irã. Com o rompimento, projeta-se que os norte-americanos irão impor sanções comerciais aos iranianos, que são o nono maior exportador de petróleo no mundo e membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Outro elemento é a interminável crise política e econômica enfrentada pela Venezuela, outra nação responsável por grande fatia das exportações e que integra a Opep. Ademais, o aumento da cotação do dólar e das taxas de juros internacionais também influencia.

No entanto, a elevação do preço do petróleo, por si só, não seria suficiente para gerar o lucro obtido nesse primeiro trimestre sem o plano de ações iniciado em 2016 com o objetivo de reerguer a Petrobras. Com tal planejamento, ela conseguiu fazer um corte vertical de custos. Nos primeiros três meses do ano, as despesas gerais e administrativas recuaram 7%, para R$ 2,142 bilhões, em comparação com igual período de 2017. Os investimentos também caíram 14% no período, para R$ 9,9 bilhões.

A mudança na formulação de preços foi outro elemento que repercutiu no desempenho da estatal no trimestre. Atualmente, a tarifa da gasolina comercializada no mercado interno varia conforme a cotação internacional do barril de petróleo. A partir dessa estratégia, com o aumento nos custos da matéria- prima, a companhia passou a capitalizar mais ganhos com a venda. Anteriormente, os aumentos do produto não eram repassados logo ao consumidor.

Reduzir o alto endividamento ainda é o grande obstáculo para que o processo de reestruturação da Petrobras produza resultados mais consistentes. Sua dívida líquida sofreu queda de 4% no trimestre, porém alcança expressivos R$ 270,7 bilhões. Nenhuma outra petroleira deve quantia tão elevada. Portanto, é importante ela aproveitar as condições favoráveis do mercado, mantendo a gestão profissional que adotou metas de redução dos custos e aumento dos ganhos.

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