Editorial

Requalificar é preciso

00:00 · 12.10.2017

A conclusão das obras de requalificação da Rua José Avelino e em parte da Avenida Alberto Nepomuceno, ocorrida oficialmente no último dia 6, põe fim à desordem que se propalava naquela área do Centro de Fortaleza. Após pouco mais de quatro meses de intervenções, o trecho - antes polo de uma feira deveras tumultuada a qual impedia o fluxo de pedestres, bicicletas e prejudicava o comércio formal - ganhou estrutura completamente renovada.

A histórica via ganhou nova iluminação, calçadas mais largas e acessíveis, ciclofaixas, pavimentação e sinalização para veículos. As mudanças serão essenciais para a fluência harmoniosa entre todos os atores que usufruem, transitória ou permanentemente, daquela região. Ali, por exemplo, os ciclistas poderão transitar com maior tranquilidade, uma vez que agora possuem uma faixa exclusiva para seu tráfego.

Os pedestres também se deparam com melhores condições para andar pela via, anteriormente um emaranhado pelo qual passar era desafiador.

Há que se levar o comércio para lugares que são próprios para tal atividade, como o shopping que foi construído, com o propósito de dar comodidade e segurança tanto aos que vendem como aos que consomem. Se não houver firmeza na fiscalização, o Centro tende a se desvalorizar progressivamente.

O caso da Rua José Avelino se tornou exemplar pelo nível drástico de baderna a que se deixou atingir. Mas, em outros pontos nevrálgicos do Centro, persistem óbices significativos que necessitam da atuação das autoridades.

A economia local é severamente prejudicada pelo descontrole em relação ao comércio informal. Os lojistas, que arcam com impostos pesados e custos causticantes para manter seus negócios abertos, se queixam da concorrência desleal, porquanto que os vendedores itinerantes se julgam desvinculados de compromissos fiscais e imobiliários.

Por envolver múltiplas nuances, a questão, nitidamente, não foi de fácil solução. Tanto é que, em diferentes mudanças de gestão, uma saída definitiva demorou muito a ser encontrada, apesar de muitas promessas.

Por ora, o que se tem à vista é um levantamento quantitativo que está sendo realizado pela Secretaria Regional Centro, a fim de identificar quantos ambulantes praticam vendas informais nas ruas do bairro. O resultado do estudo deverá ser usado pela Prefeitura para implementar medidas que tornem a área mais ordenada e atrativa. Dentre as possíveis, estão o recadastramento e a realocação dos vendedores.

A profusão de ambulantes encabeça o rol de graves problemas do bairro, mas está longe de ser o único. Insegurança, saneamento inadequado e sujeira também marcam a experiência dos frequentadores. Portanto, mesmo que o antigo e espinhoso obstáculo do convívio atribulado com o comércio informal seja resolvido, a gestão municipal ainda necessita afiançar melhores condições para o funcionamento adequado do mercado varejista e das atividades culturais que ali pulsam.

O trabalho para transformar o Centro novamente em um lugar aprazível é árduo e requer volume expressivo de investimento e estudo. Restabelecê-lo demanda ações em diferentes frentes.

A revitalização da Rua José Avelino foi um passo importante, devendo servir como pontapé para outras iniciativas com potencial para valorizar a história e a economia de um dos pontos mais simbólicos da Capital.

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