editorial

Recuperação imobiliária

00:00 · 16.08.2017

O mercado imobiliário de Fortaleza inicia o segundo semestre com números animadores, dando indícios de que caminha para, enfim, se desgrudar do ranço da recessão. Os resultados de julho apontam para uma elevação expressiva de 73% no número de imóveis comercializados, em comparação com igual período do ano passado. O desempenho gerou o Valor Geral de Vendas da ordem de R$ 180 milhões no mês, contra R$ 118 milhões assinalados em julho de 2016, aumento de 52%.

Considerando-se especificamente as propriedades residenciais verticais, filão mais forte do setor na Capital, o crescimento foi ainda maior: 83% em julho. Com a reação, o mercado pode girar a marca de R$ 2 bilhões no total do ano. Relembra-se que, no primeiro semestre, o valor das vendas já havia registrado expansão de 12%.

Ainda assim, os dados não permitem a conclusão de ter havido uma performance tão pujante. O balanço se sobressai principalmente por conta da base de comparação rastejante de 2016, quando uma atmosfera depressiva tomava conta do mercado de imóveis, em meio à profunda crise política e institucional que assolou a Nação. Para se ter dimensão, em julho daquele ano, o número de unidades vendidas caíra 31%. Apesar de o País não gozar ainda da estabilidade necessária, observa-se agora uma reação importante.

Trata-se de sinal de que os consumidores estão mais confiantes e dispostos a comprar e investir. Adquirir imóvel, um bem que demanda quantias elevadas, pagas, muitas vezes, durante anos até a quitação de financiamentos, requer planejamento e solidez orçamentária. Nos últimos dois anos, a maioria da população evitou se comprometer com dívidas longas e compras de grande valor, por não vislumbrar o horizonte minimamente limpo. Em decorrência, o setor foi um dos que mais sofreu durante a crise.

Todavia, nota-se que as famílias já adiaram por tempo demais os projetos pessoais e os sonhos de consumo. Apenas com a pequena melhora nos indicadores econômicos, veem que é hora de prosseguir com os projetos.

A melhora não é sentida exclusivamente no mercado local. De acordo informações do Sinduscon, que representa as construtoras, em São Paulo, relevante termômetro do setor, as vendas de imóveis novos fecharam os seis primeiros meses deste ano com alta de 9,6%. Em maio, por exemplo, perfez o melhor fechamento mensal desde dezembro de 2015.

Um ponto favorável para essa mudança de comportamento é a trajetória de declínio dos juros. As taxas menores tornam os negócios mais atrativos, mesmo que a situação política não esteja blindada de turbulências.

O patamar atual da Selic, em 9,25% ao ano, é resultado do processo contínuo de cortes empreendido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), diante da inflação reduzida e da necessidade de reenergizar o mercado interno. Conforme as projeções de analistas do mercado financeiro, expressas no Boletim Focus, a estratégia deve continuar e, no fim do ano, o juro básico deve ficar em 7,5%, percentual também estimado para o encerramento de 2018.

Para o próximo ano, se o País voltar à trilha de menos conturbações, é possível que o mercado imobiliário comece a galgar passos mais firmes e largos para atingir resultados vigorosos. É um dos setores pelos quais a recuperação econômica passa inevitavelmente.

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