editorial

Proteção materna

00:00 · 04.04.2018

Com o intuito de proteger mães e bebês, através do acompanhamento criterioso dos processos de gestação, parto e pós-parto, o governo estadual lançou, nesse mês de março, o Programa Nascer no Ceará.

Mesmo com a sustentável redução nos indicadores de mortalidade materna e infantil, ao longo das últimas décadas, é preciso ter contínua atenção para com essa área da saúde pública, a fim de manter em queda as estatísticas e se emparelhar ao nível das recomendações internacionais.

Uma das características mais interessantes do projeto é a ideia de mapear as gestações de risco em todo o território cearense, por meio de um aplicativo para dispositivos móveis. A compilação de diversas informações individuais é uma estratégia efetiva para embasar as ações responsivas. Ao buscar compreender, numérica e detalhadamente, os quadros de saúde das futuras mães e filhos, a gestão pública terá a seu dispor o painel mais próximo possível da realidade local, traçando medidas específicas para combater as deficiências encontradas.

Após apreender tais informações, o governo buscará garantir o acesso das mulheres a exames, vacinas e demais procedimentos imprescindíveis. Quando cumpridas, tais etapas podem elevar as chances de sucesso no curso da gravidez e após. O programa visa a assegurar o parto humanizado e seguro e o auxílio médico ao recém-nascido. Assim, será reestruturada a atenção materno-infantil, por meio de assistência qualificada às pacientes com gestação de risco em todos os municípios.

Não obstante a retração da mortalidade, ainda é elevado o número de mães que morrem por fatores ligados à gestação e ao parto. De acordo com a Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia (Socego), a cada 130 mil partos no Ceará, registra-se morte da mãe em 80 casos. Já a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) informa que ocorrem 60 mortes maternas a cada 100 mil.

A taxa ainda fica bastante acima do que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda como meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de 35 óbitos por 100 mil nascimentos.

No Brasil, conforme o Ministério da Saúde, a mortalidade materna apresentou retração de 58%, de 1990 a 2015, passando de 143 para 60 óbitos maternos por 100 mil parturientes. Houve, portanto, melhora sensível. Mas, observando-se as referências de outros países, percebe-se que há muito a progredir no assunto. Nações como Polônia, Grécia, Itália, Noruega e Japão possuem taxa de mortalidade igual ou inferior a 5 entre 100 mil, muito distante da realidade brasileira, que é injustificável.

O paralelo serve apenas como ilustração, na medida em que as discrepâncias sociais e estruturais de tais países com o Brasil são deveras profundas. O fato, contudo, serve para mostrar que, com acompanhamento, infraestrutura hospitalar e assistência médica regular, se pode ter uma ameaça muito menor à vida.

De todas as mortes de crianças no Brasil, 70% ocorrem com bebês de 0 a 27 dias de idade. Grande parte desses óbitos se dá por conta de deficiências no pré-natal. É cientificamente comprovado que o pré-natal bem realizado previne substancialmente as complicações também para os recém-nascidos.

Todo esforço adicional para reduzir as mortalidades materna e infantil é de grande importância. Os programas estaduais com foco nesta área deverão surtir resultados significativos no futuro próximo, melhorando os seus indicadores de desenvolvimento humano.

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