editorial

Potencial renovável

00:00 · 07.04.2018

Nos leilões de energia renovável promovidos pelo governo federal no fim de 2017, o Ceará teve desempenho frustrante e não conseguiu aprovar projeto algum. Mas a importante área ganhou injeção de ânimo com o novo processo realizado no início deste mês, com promoção da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Após ser amplamente superado pelos estados concorrentes no leilão anterior, o Ceará se recuperou e obteve o resultado mais expressivo entre as unidades da Federação que participaram.

O Estado garantiu a contratação de 14 projetos de energia solar, totalizando 390 megawatts (MW) e movimentando investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões. Na visão de especialistas do setor energético, o certame foi muito positivo para o futuro da sustentabilidade do sistema de energia cearense.

Foi também relevante em âmbito nacional, afinal, resultou na contratação de 39 novos empreendimentos de geração de energia. A própria Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) classificou o leilão como um sucesso

Os preços verificados nesse último leilão mostram evolução significativa da energia renovável no País. Os arremates foram feitos com deságio considerável (média de 59%) em relação aos valores máximos estipulados, aproximando o mercado doméstico dos parâmetros praticados internacionalmente. Investir em fontes limpas está se tornando cada vez menos dispendioso e tal fenômeno deve estimular progressivamente a multiplicação de projetos do tipo.

É fundamental que o Ceará esteja efetivamente envolvido no processo de consolidação das matrizes alternativas, a fim de se tornar um competitivo ambiente para aportes na área. O potencial que o Estado possui para a produção de energia a partir de fontes como a solar e a eólica é imenso. A forte incidência de raios solares na maior parte do ano e a impressionante regularidade e força dos ventos em algumas regiões fazem do Ceará uma potência energética.

No futuro, mais próximo do que se possa imaginar, as fontes solar e eólica representarão fatias substanciais da geração de energia. A transformação na pirâmide energética nacional está se dando com rapidez.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), somente no ano passado, a capacidade instalada em energia eólica cresceu 28%, para 12,8 gigawatts (GW). O montante é o equivalente a 8,1% de toda a capacidade do Brasil.

Também em 2017, a energia solar deu salto importante, ao crescer mais de 4.400%, passando de 21 MW para quase 1 GW. Quanto a esta matriz em particular, o Brasil ainda engatinha. Ela é responsável por menos de 1% da potência instalada do País. No entanto, o recente barateamento deve mudar o panorama nos próximos anos, e o Ceará começa a se posicionar em busca de protagonismo.

A abertura de linhas de crédito mais acessíveis para disseminar o uso de placas fotovoltaicas é uma forma de incentivo. O governo federal, recentemente, autorizou o BNB a ofertar o FNE Sol para pessoas físicas e jurídicas e microgeradoras de energia elétrica. Essa linha de financiamento é voltada a fomentar o desenvolvimento energético por opções sustentáveis.

Em tempos de tarifa de energia nas alturas, por conta, dentre outros motivos, da interminável dependência em relação às caras usinas termelétricas, as fontes renováveis deixaram de ser alternativas e passaram a ser o caminho obrigatório para a garantia do abastecimento no futuro.

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