Editorial

Potência solar

00:00 · 25.06.2018

A capacidade instalada no Ceará para a produção de energia solar cresceu de forma significativa em curto lapso de tempo. Somente nos últimos meses, a expansão foi de 57%, conforme a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), passando de 10,9 megawatts (MW), em novembro de 2017, para 17,1 MW, neste mês de junho. O considerável salto é um importante sinal de que a geração a partir dessa matriz, ainda pouco representativa dentro do sistema geral, entrou em plena aceleração.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Ceará desponta como um dos estados mais fortes no segmento, ocupando a quinta colocação do País e a primeira do Nordeste. O Estado é responsável por pouco mais de 6% da potência brasileira.

Com a grande vantagem natural de que dispõe, uma vez que recebe raios solares por quase todo o ano, o Ceará tem condições de galgar ainda mais no ranking nacional. O quarto lugar, Santa Catarina, está muito próximo (17,3 MW). Os demais possuem, pelo menos, o dobro de capacidade instalada: Minas Gerais (60,6 MW), Rio Grande do Sul (38,6 MW) e São Paulo (34,6 MW). O leilão de energia renovável realizado em abril, com promoção da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), originou novas perspectivas.

No certame, o Ceará obteve o resultado mais expressivo entre as unidades da Federação participantes e garantiu a contratação de 14 projetos de energia solar, totalizando 390 megawatts (MW) e movimentando investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões.

Tal expansão ocorre diante da mudança no contexto da energia solar no Brasil. Enquanto essa fonte de produção energética é bastante explorada, há algum tempo, em outros países, como China, Estados Unidos e Japão, aqui o processo tem sido bem mais lento.

Isso por conta dos custos elevados para aquisição e instalação dos equipamentos necessários; e da falta de linhas de financiamento atrativas. Entretanto, essa configuração está transmutando. O mercado doméstico está gradativamente convergindo com as práticas de preços internacionais, o que deve provocar um "boom" na geração nacional nos próximos anos.

O Brasil, informa a Absolar, dispõe de potência instalada de 1,3 mil MW em usinas e sistemas solares fotovoltaicos de médio a grande porte, o que representa em torno de 0,8% da de toda a energia produzida no País.

É provável que tal fonte limpa e renovável abocanhe fatia maior da matriz elétrica nacional. Novas opções de subsídios para projetos solares deverão alavancar os empreendimentos, com condições de financiamento mais competitivas e a redução de impostos para a compra do aparato tecnológico.

Embora tenha mergulhado na empreitada com atraso, é importante que o País esteja, enfim, reconhecendo a relevância de investir e fomentar a promissora energia solar, da microgeração nas residências aos parques de maior potência. Não se trata apenas de garantir o futuro do abastecimento energético, mas também de priorizar as escolhas mais responsáveis do ponto de vista ambiental.

Neste contexto, o Ceará irrompe como um dos agentes protagonistas no projeto de dar impulsão à produção energética a partir dos raios solares, sendo também relevante no setor eólico. Possui os fatores fundamentais para capitanear, no Nordeste, quiçá no País, a transformação na forma como se gera energia, com prioridade às fontes renováveis.

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