Editorial

PIB estadual robusto

00:00 · 20.06.2018

Os primeiros resultados divulgados sobre o desempenho da economia cearense neste ano trazem uma mescla de satisfação e cautela. O PIB do Estado, informou o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), cresceu 1,55% no primeiro trimestre deste ano sobre igual período de 2017, o melhor resultado desde 2014. Em contrapartida, a projeção do crescimento para 2018 foi revista para baixo, ajustada de 3,5% para 2,6%, diante da interrogação que paira nos cenários político e econômico do País.

A sólida evolução assinalada de janeiro a março contou com a expressiva participação do setor de agropecuária, cuja expansão atingiu 23,8% no período. No âmbito nacional, o setor apresentou trajetória oposta: declínio de 2,6%. O Ipece atribui o avanço vultoso ao bom volume de precipitações registrado ao longo da quadra chuvosa. A baixa base de comparação também ajudou, pois nos anos anteriores, a seca predominava.

O setor de serviços, o qual compõe 76% do produto interno estadual, também cresceu nos três primeiros meses do ano. A elevação foi de 0,86%, impulsionada, sobretudo, pelo desempenho do comércio (aumento de 2,96%). A indústria, contudo, encolheu 1,16%.

Não obstante alguns solavancos, a economia cearense mantém, em 2018, o nível de recuperação iniciado em 2017, sempre acima da média brasileira. No ano passado, o PIB do Estado apresentou 1,87%, enquanto o do Brasil cresceu apenas 1%.

No quarto trimestre de 2017, a atividade econômica expandiu 3,24% no contexto estadual e 2,4% no nacional. A manutenção dessa trajetória é essencial para suprimir a evidente desigualdade social entre esta e outras unidades da Federação, contribuindo para que o Ceará aumente sua tímida participação no total do PIB do País. Ademais, a economia mais vibrante permite a criação de maiores oportunidades no mercado de trabalho e o acréscimo de renda, necessários ao desenvolvimento.

O principal ponto de atenção é a revisão, para baixo, da performance da economia local. A mudança considera a entropia prevalecente no panorama brasileiro. Apesar de usufruir de boa situação fiscal e estabilidade política, o Ceará, por óbvio, não passa incólume pelas intempéries que atingem a República. Com o imprevisível processo eleitoral batendo à porta, o País se mostra deveras permeável a novas crises, estando ainda fragilizado pela recessão. Prova disso é o ritmo da economia, mais lento do que o esperado, e o derretimento cambial do real diante do dólar. A greve dos caminhoneiros também deve imprimir efeitos negativos ao PIB do Estado, em proporção ainda desconhecida.

Mesmo com essa lista de ameaças, a expectativa é que a economia do Ceará prossiga em compasso mais acelerado que o nacional. Enquanto a nova projeção é de alta de 2,6% no PIB estadual, a economia brasileira recebe estimativas bem mais pessimistas. O Boletim Focus, que congrega a avaliação de 100 instituições financeiras, reduziu, nesta semana, pela sétima vez consecutiva, a previsão para o crescimento. Em um mês, os analistas revisaram a perspectiva de 2,5% para 1,76%. E, ante a nebulosidade política e o desfavorável desdobramento das notícias internacionais, é possível que esse percentual recue ainda mais.

O Ceará se descola parcialmente de tal turbulência ancorado em fatores próprios de sua realidade, tais quais a solidez nas contas públicas, a pujança das exportações e o potencial de fortalecimento da atividade turística.

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