ARTIGO

Pe. Cícero e Juazeiro

00:00 · 19.05.2018

É impossível separar a história de Padre Cícero da história, geografia e cotidiano de Juazeiro do Norte. Em um século e meio, a Região do Cariri experimenta urbanização e metropolização a partir do Juazeiro do Norte. Processo gerado pela população natural e pelo fluxo comercial e de serviços que a romaria ao Pe. Cícero fomenta. São três períodos de grande aglomeração, onde se estima de um a dois milhões de romeiros anuais. O vaivém nas igrejas, ruas, comércio, lanchonetes e restaurantes da cidade se modifica com a romaria.

Quando o jovem Padre veio residir no pequeno povoado, em 1872, o lugar possuía cerca de 300 pessoas, vivendo em apenas duas ruas, com uma escola, 32 prédios simples e uma pequena capela. Juazeiro foi emancipado do Crato em 1910, tornou-se Vila sede em 1911, e cidade em 1914. Uma transformação rápida e em torno de principal motor - Padre Cícero, que mesmo após sua morte, em 1934, não se esvaziou. Juazeiro do Norte tornou-se o centro urbano e metropolitano da região Crajubar. Em 2017, possuía 270 mil habitantes, sendo a 3ª população do Estado, depois de Fortaleza e Caucaia. O sacerdote acolhia, escutava e aconselhava devotos. Muitos vinham em busca de bênçãos e para conhecê-lo, mas acabavam ficando para viver sob seus cuidados. A convivência com o povo na igreja, na rua e nos sítios, por cartas, no confessionário, ou na calçada fazia do seu sacerdócio atualizado com o pensamento do Papa Francisco, que orienta: "O padre não pode ser burocrático, mas alguém que é capaz de sair de si, caminhando com o coração e o ritmo dos pobres". O amor do Padre por seus afilhados é sustentado na fé dos romeiros. Assim pelo sacerdócio que exercia, foi exemplo de amor, doação e trabalho, na linha do papa Francisco.

Ana Maria Matos Araújo. Doutora em Geografia

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