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Palitômetro

00:00 · 12.09.2017

Dezembro de 1960. Ingressávamos no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR/10) do Exército; Curso de Infantaria. Dois anos de instruções em aulas teóricas, práticas e treinamentos técnico-militares especializados para formar o oficialato reservista nacional. Ensino didático e metodológico objetivo e comparável ao universitário civil. O quartel-escola situava-se na Avenida Bezerra de Menezes, hoje instalações da SSPDS.

Nossa turma, de 50 jovens, recebeu o tradicional trote. Alunos antigos, desejosos do tratamento de "Aspirante", posto ainda futuro, divertiam-se nas gozações. Por vezes, nós calouros ou "bichos", mudávamos a troça, invertendo o gozo. Imobilizar-se qual estátua, imitar animais e pessoas, chorar, rir, aplaudir ou vaiar narrações faziam-se pândegas. Segurando um palito de fósforo, indagando o que era e obtendo resposta certa, o veterano retrucava: "Não, bicho! Isto é um preciso instrumento de medição chamado 'Palitômetro'! Segure o aparelho e meça, em palitos quadrados, a exata área deste pátio!".

A vagareza na ação livrava-nos de piores logros. Relembrança fez-se curiosice, busca da origem da chacota e a descoberta. Começou também como trote. Século XVIII. Universidade de Coimbra. Teve nome de "Palito Métrico", nominando, em 1746, a obra burlesca de António Duarte Serrão, pseudônimo do padre João da Silva Rebello (1710-1790), doutor em Teologia e Cânones. Contadas onze edições de sarcasmos e o "Dura praxis, sed praxis", inseriu-se noutra obra maior, a "Macarronea Latino-Portugueza". Memora o "Dura lex, sed lex, no cabelo só Gumex".

Geraldo Duarte
Advogado e administrador

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