JOSUÉ DE CASTRO

Os médicos

21:21 · 17.11.2007
Nos idos de 1948, uma plêiade de bravos, ou melhor, de professores, reuniu-se na Praça José de Alencar no dia 12 de maio, para fundar a brilhante Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Segundo Newton Gonçalves, o mestre dos mestres, estava se concretizando o sonho de Jurandir Picanço, arquétipo do consagrado evento. Waldemar de Alcântara, José Carlos Ribeiro e Walter Cantídio completavam a lista dos idealistas que se perpetuaram na memória do povo cearense, tendo à frente Martins Filho, reitor ´ad aeternum´.

Estavam escudados no mérito e na galhardia da elite médica conterrânea, que há anos prestigiava gloriosamente a nobre profissão, com espírito científico e humanitarismo. Antonio Justa, César Cals, Rocha Lima, José Frota, Carlos Ribeiro, Pedro Sampaio, Eliezer Studart, Adalberto Studart e Thomaz Pompeu para citar alguns nomes. Lembro-me com emoção das décadas passadas. A Faculdade e o Hospital das Clínicas eram duas orquestras afinadas regidas por um só maestro, símbolos da cultura hipocrática regional. Foram diretores da Faculdade na época Newton Gonçalves, Ocelo Pinheiro, Waldemar de Alcântara e Walter Cantídio. Luzes para o ensino médico regional e nacional iluminando o desenvolvimento de outros cursos de Medicina. A nova Faculdade teve o catedrático de Psiquiatria Frota Pinto como um dos seus mais ilustres mestres, formando uma geração de profissionais que se destacam no País e no exterior. Com o livro Psiquiatria Básica para estudantes, psiquiatras, psicólogos e áreas psicossociais que se relacionam Gerardo Frota Pinto foi reconhecido como autoridade universitária nacional. O Centro Acadêmico também muito empolgado.

O Diretório XII de Maio realizava magníficos congressos sociais, esportivos e culturais nos Clubes Náutico e Líbano, promovendo extraordinária integração dos estudantes e professores com a sociedade. Antonio Guimarães e Pedro Coelho representando o Náutico fizeram um acordo com o Clube dos Estudantes de Medicina, Instituição pioneira na Universidade, sob a direção do acadêmico Josué de Castro.

Veio então uma reforma, tal qual uma violenta tempestade, arrastando a instituição para desígnios paralisantes. Suprimiu-lhe o indelével nome e impuseram-lhe as condições de membro do Centro de Ciências da Saúde. A Faculdade jovem e exuberante, formando centenas de profissionais que já se destacavam nacionalmente, teve sua identidade frustrada. Sem a necessária experiência e sem estruturas funcionais compatíveis com a responsabilidade, os departamentos algumas vezes primavam pela improvisação e pelo arbítrio. Quase deslustraram uma geração. Com argúcia e clarividência, o magnífico reitor Roberto Cláudio Frota acorda esplendidamente a jovem adormecida, fazendo resgatar seus valores, com suas inexpugnáveis bases intelectuais e culturais. E certamente como preconizava o saudoso professor Newton, com novos módulos técnicos e científicos imbricados com uma perfeita sistemática de ensino. Paradigma do futuro, com o saber científico sobreexistindo à política e ao Estado.

E quais os nomes da grande jornada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará para o resplendor de nossas existências acadêmicas? Elias Salomão, Flávio Leitão, João Martins, Nogueira Paes, Nelie Torres, Teresa Gonçalves, Luciano Pinheiro, Moreira Lima e tantos outros. Predestinados imbuídos do pensamento de Ingenieros: ´O ideal é o impulso do espírito no sentido da perfeição´.

Na atualidade Henry Campos vem implementando uma sistemática de ensino atualizada, com alunos e professores incentivados pela pesquisa através do conhecimento científico e experiências notáveis na arte médica. (Reminiscências - Editora Tipogresso).

* Médico, professor e escritor

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