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O líder ouvinte

00:00 · 31.03.2018

Ao longo da história, a natureza e a prática da liderança têm sido foco de constantes pesquisas e abordagens de especialistas. Numa definição básica encontrada nos dicionários, liderança é a função de uma pessoa que tem o poder de decidir, de se fazer obedecer, de influenciar nas ideias e ações de outras pessoas. Porém, mais do que isso, liderança envolve motivação e engajamento.

Além disso, é preciso distinguir líder de chefe. Este, embora tenha autoridade para mandar e exigir obediência, nem sempre consegue conduzir sua equipe por meio de um comando claro, coeso e objetivo. Já o líder tem a capacidade de ouvir e a habilidade necessária para engajar seus liderados de forma que eles contribuam para o alcance dos objetivos da organização, sempre de maneira ética e positiva.

No livro "O monge e o executivo", o autor James C. Hunter fala do papel servidor do líder, que não apenas escuta e dá apoio à sua equipe, mas, sobretudo, que respeita as pessoas como elas são, compreendendo e considerando seus sentimentos, desejos e aflições. O livro aborda a liderança como a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum. Assim, saber ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver.

Nos últimos anos, venho implementando no Grupo Edson Queiroz ações para garantir que a voz de nossos colaboradores seja ouvida. Uma dessas ações foi o lançamento do Código de Conduta e do Canal de Ética, que abriram uma importante via de comunicação com todos os nossos stakeholders - colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros - de modo a permitir relatos, identificados ou não, que denunciem situações de possível violação aos nossos princípios.

Outro momento em que pude exercitar fortemente a habilidade de ouvir as pessoas aconteceu durante a implantação do sistema de gestão na Esmaltec, quando ouvimos os colaboradores, buscando entender suas percepções, dificuldades e necessidades em relação às suas atividades.

Somente após o mapeamento de cada área, através desse escutar cuidadoso, foi possível montarmos as células de trabalho - as UGBs- e implantar as ferramentas de gestão para planejar, executar, monitorar resultados e promover melhorias nas atividades operacionais da fábrica. Além de ouvir as pessoas, conseguimos também captar os anseios dos colaboradores, o que resultou num programa de reconhecimento pelos resultados positivos alcançados, gerando, além de energia positiva, otimização dos processos e redução dos custos de toda a operação da empresa.

Semanalmente, promovo almoços com minhas equipes e, durante as confraternizações e celebrações de datas comemorativas, procuro levar reflexões sobre a importância de trabalharmos em sintonia e sobre os vínculos que nos unem, afinal, passamos a maior parte da nossa vida no ambiente organizacional. Jamais esquecerei, por exemplo, a emoção dos colaboradores da Holding durante a celebração do Natal de 2017, quando recitei o poema "O laço e o abraço" (atribuído a Mário Quintana) e pude ver os olhos marejados dos colaboradores, numa verdadeira conexão entre líder e equipes que se respeitam, que sabem falar e ouvir na hora certa e que, juntos, formam uma grande família.

Assim como estas, ações simples, se executadas com regularidade, podem ser bastante eficazes para o desenvolvimento da habilidade de saber ouvir, na medida em que o líder impõe menos e pergunta mais, incentivando a equipe a buscar as respostas e, consequentemente, garantindo a motivação e o engajamento de todos.

Igor Queiroz Barroso. Diretor Institucional do Grupo Edson Queiroz

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