editorial

Novo perfil demográfico

00:00 · 30.06.2018

O desenvolvimento de tecnologias na área da Medicina aliado a avanços do ponto de vista educacional elevaram a expectativa de vida dos brasileiros e provocaram aumento no número de idosos. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que o total de pessoas com mais de 60 anos deve triplicar até 2050. Conhecer esse novo perfil demográfico se faz necessário para refletir sobre os projetos do poder público, pois a extensão do processo de envelhecimento desperta debates sobre a Previdência, Saúde, Educação, trabalho e renda.

É preciso, no entanto, cautela máxima para avaliar o que representa a multiplicação de idosos. Subestimar os problemas enfrentados por cada um desses setores às mudanças na pirâmide etária é um grave erro. As alterações devem ser aproveitadas como um fator que determine o passo inicial na execução de projetos destinados a preparar o País para atender esse contingente populacional.

A expansão da expectativa de vida é citada como um dos principais argumentos por quem faz a defesa de reforma no sistema previdenciário. Projeções apontam que, com o salto na quantidade de idosos, se a regras atuais não forem revistas, a aposentadoria irá consumir 25% da renda nacional em 2030. Tal patamar seria insustentável em qualquer nação. Na Saúde, o desafio consiste em arcar com o aumento nas despesas do setor. À medida que mais pessoas chegam à velhice, também cresce o percentual dos pacientes com doenças crônicas.

Em ambos os setores, todavia, existem ações que, se forem realizadas com base em planejamento a longo prazo, concorrerão para evitar que o ônus mais pesado atinja, em especial, os idosos. O sistema previdenciário precisa se estruturar para suportar os encargos da futura ampliação das aposentadorias pagas pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A solução é atrair maior número de novos contribuintes para reforçar o caixa da autarquia e uma das medidas à disposição é reduzir a informalidade no mercado de trabalho, a qual foi substancialmente multiplicada pela eclosão da crise econômica. No trabalho informal, o indivíduo não paga nenhuma contribuição à Previdência Social, o que aprofunda o déficit do sistema.

No ano passado, foram abertas aproximadamente 1,8 milhão de vagas sem carteira assinada. Amenizar os efeitos do aumento de idosos sobre as despesas do SUS demanda, de forma prioritária, criar condições para que eles cheguem àquela fase mais saudáveis e resistentes às enfermidades crônicas. Para tanto, torna-se essencial aplicar a chamada medicina preventiva, programa que assegura à população, durante todas as etapas da vida, o acesso à saúde e evita que os problemas detectados na juventude ou na fase adulta se agravem posteriormente.

Também se mostra imprescindível promover campanhas educacionais, a fim de conscientizar a sociedade sobre o relevante papel desempenhado pela população idosa, que transmite preciosos ensinamentos adquiridos a partir da sua experiência acumulada ao longo dos anos. O Estatuto do Idoso foi peça importante para combater os atos de desrespeito e abuso sofridos por quem está nessa faixa etária, mas não foi suficiente para eliminar as práticas criminosas.

A supervalorização da força da juventude disseminou o equivocado conceito de que a pessoa vale enquanto ela está no auge de sua força produtiva. Tal conceito equivocado provoca o desprezo e até a invisibilidade dos idosos, mas não condiz com os preceitos humanitários e com as práticas civilizatórias.

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