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Mortos bem vivos

00:00 · 17.04.2018

Renilson Lobato, agente funerário de Luziânia, Goiás, entrou em pânico, "sabendo-se morto", conforme revista nacional. Ao procurar hospital do SUS, para exame médico, teve negado o atendimento, pois não mais pertencia ao mundo dos vivos. Desde agosto de 2014, "devido a óbito", fora retirado do cadastro do INSS. "Morrera e não sabia". Registrou queixa em delegacia policial. Buscou solução junto à Previdência Social. Procurou o cartório expedidor da certidão mortuária. Mostrou-se vivente a quem pode. E nada. Passados quatro anos de "falecido" e quase dois meses de protestos, pouco antes do domingo pascal foi "ressuscitado" e, depois, medicado. Cunhada minha sofreu igual "forma de morte", conseguindo que o "homicida INSS" a "renascesse" e continua o viver. Lembrei-me de causo de "morto-vivo" narrado pelo ferroviário Tomaz Acioly. Na Serra do Estevão, o jovem agricultor Zé de Moura "fez mal a uma donzela". Fugindo do casamento e do valente pai da "ex-moça". Anoiteceu e não amanheceu na roça. Nem rastro deixou. O tempo passou e a família do rapaz noticiou seu falecimento prematuro em Fortaleza, inclusive encomendando missa na capela da vila onde moravam, crendo no esquecimento do cometido. Até traje de luto os pais usaram.

Num belo dia, como dito no sertão, a verdade matou a mentira. Tonho Grandão, genitor de Rosa e já avô de Toinho, soube estar o sedutor vivinho da silva e com casório marcado. Veio aqui, com os três filhos, e deu-lhe o famoso "corretivo interiorano". Ouviu-se dizer que o deflorador não casou, engordou muito, vivia triste e ficou conhecido por Zé Capão de Moura.

Geraldo Duarte. Advogado e administrador

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