editorial

Melhoria das rodovias

00:00 · 10.05.2018

Mesmo com a dificuldade que o País enfrenta para alavancar os investimentos em infraestrutura, existem exemplos que conseguem competentemente se esquivar das carências orçamentárias para garantir o desenvolvimento de pontos relevantes. Neste cenário desafiador, o Ceará tem feito consecutivos investimentos em prol de sua malha rodoviária, o que pode futuramente garantir a evolução logística que a economia local requer.

Dentro do programa Ceará de Ponta a Ponta, mais um pacote de obras foi apresentado pelo Governo do Estado, no último dia 7 de maio. Com recursos provenientes do Tesouro Estadual e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a nova carteira terá a soma de R$ 561 milhões, valor que será aplicado para implantação, requalificação e duplicação em 41 trechos de estradas que cortam o território cearense, totalizando 691 quilômetros de extensão.

Aportes como esse ocorrem desde 2015, quando o programa iniciou-se. O Estado tem demonstrado a visão perspicaz que vem faltando à União quando o assunto é investimento na otimização das rodovias. Conforme recente estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o País investiu menos de 0,3% do PIB em melhorias estruturais na malha viária nos últimos anos. Nos melhores anos, 2010 e 2011, o percentual não passou de 0,26% do PIB. Em 2016, caiu para 0,14%.

O empenho do governo federal na área é inversamente proporcional à magnitude dela para os contribuintes e à economia brasileira. Pelo modal rodoviário, circula a maior parte das cargas que atravessam o País, assim como os maiores contingentes de pessoas que se deslocam entre cidades. A qualidade das rodovias, portanto, deve ser uma prioridade da administração federal. Conforme a CNT, em torno de 57% das rodovias brasileiras ainda apresentam condição inadequada ao tráfego, apesar das melhoras observadas nos últimos 15 anos.

Para se descolar de tais gargalos e ganhar competitividade, o governo estadual investiu, de 2015 a 2017, mais de R$ 1,2 bilhão somente por meio do Ceará de Ponta a Ponta, entregando 1.600 km de estradas. O objetivo é permitir fluidez no tráfego, segurança aos motoristas e passageiros e o aprimoramento da logística.

Esta fase econômica a qual o Ceará atravessa, despontando, em diferentes setores, demanda que o Estado possua robustos alicerces estruturais, a começar pelas estradas. O crescimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém vem sendo acompanhado de investimentos rodoviários para que o escoamento de mercadorias seja facilitado. Ao mesmo tempo, o Estado se prepara para a chegada em maior número de turistas estrangeiros, fruto do início das operações do "hub" aéreo. Muitos dos visitantes deverão conhecer as vastas belezas naturais espalhadas pelo Ceará e, para que a experiência seja positiva, as estradas devem ter condições favoráveis.

No escopo do novo pacote revelado, estão ainda obras do Quarto Anel Viário, de suma importância para o deslocamento diário na Região Metropolitana de Fortaleza. A promessa é que, após incontáveis atrasos, o projeto finalmente seja entregue neste ano.

O esforço para investir na melhoria das rodovias mostra que o Ceará está em condição fiscal privilegiada. O caminho adotado beneficiará milhões de pessoas e aumentará a produtividade. Estão sendo firmadas as imprescindíveis bases para o desenvolvimento econômico.

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