editorial

Melhorar o aprendizado

00:00 · 30.03.2018

O desenvolvimento da educação básica foi colocado em xeque por um relatório do Banco Mundial, voltado a alertar sobre a "crise da aprendizagem" enfrentada pelos países. Pela primeira vez, a instituição financeira ocupou o "World Development Report" - documento anual que discute assuntos preponderantes para o desenvolvimento global - exclusivamente com o tema educação.

Entre as variadas estatísticas preocupantes, destaque para a projeção de que o Brasil levará 260 anos para auferir o patamar de leitura de países desenvolvidos; e 75 anos para atingi-lo em matemática. Com base em tal averiguação numérica, fica claro que o País está preso no passado e precisa de mudanças concretas, o que não ocorrerá sem investimentos sólidos em educação e reformas.

Avanços vêm sendo registrados nas últimas décadas, no entanto, para reverter as visíveis carências, o ritmo evolutivo precisaria ser muito mais célere. Afora discursos políticos ocos, a educação nacional nunca foi tratada como uma verdadeira prioridade, ficando sempre à sombra de outras pautas, mesmo sabendo-se que suas fragilidades reverberam em outras rubricas fundamentais, como segurança pública e emprego.

O Brasil não está sozinho na beirada do despenhadeiro do aprendizado. De modo geral, crianças e adolescentes de nações pobres e emergentes parecem fadados a receber um ensino deficitário, incapaz de formá-los nos aspectos mais basilares do conhecimento.

Muitas dessas nações assinalaram, principalmente nos últimos 30 anos, o crescimento da frequência de alunos nas escolas, mas tal fenômeno não garantiu a construção cognitiva de que eles necessitam para o sucesso profissional.

Conforme o Banco Mundial, os mais relevantes exames de alfabetização e aritmética aplicados apontam que, nos países pobres, a média obtida pelos estudantes fica 95% abaixo dos resultados apresentados pelos alunos de nações ricas.

Assim, a educação combalida ofertada nos subdesenvolvidos funciona como um agente dilatador das já enormes discrepâncias socioeconômicas internacionais. O estudo destaca que, na América Latina e Caribe, somente 40% chegam ao fim do Ensino Fundamental com, pelo menos, o nível mínimo de proficiência em matemática. Na Europa, essa mesma taxa sobe para 80%.

O documento recomenda iniciativas para melhorar o aprendizado. Um dos pontos propostos é a otimização de dispositivos que possam mensurar o nível de aquisição de conhecimento dos estudantes nos ensinos Fundamental e Médio. Tais avaliações podem servir como base informativa para professores, escolas e, em escala maior, para todo o sistema educacional, na elaboração de estratégias para melhorar o nível de tais estudantes e dos que ainda chegarão a essas fases. Outro aspecto levantado é a necessidade de valorizar o professorado, viabilizando-lhes a infraestrutura adequada para o ensino e a remuneração condizente com a relevância do posto.

Em meio aos fracos resultados ante os parâmetros internacionais, existem boas exceções. Exemplos locais funcionam como arquétipo para o progresso educacional. O Ceará acumula façanhas louváveis neste campo, com recordes no desempenho de aprendizagem e rígida observância ao modelo empregado. Por essa via, o Estado pode dirimir problemas sociais históricos. Mas o País precisa acelerar o ritmo do aprendizado para garantir aos jovens cidadãos o conhecimento básico que consolidará suas vidas profissionais e formará o capital humano da Nação.

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