Editorial

Melhora de marcha

00:00 · 13.10.2017

Esculpe-se, no setor automotivo, o início de uma importante reação, a qual pode funcionar como uma das vigas para o crescimento econômico do País. O segundo semestre deste ano está sortido de bons resultados para esse mercado e as projeções são também positivas.

A consolidação da boa fase ainda está condicionada à estabilidade político-econômica e a balanços vindouros. Mas, conjecturas à parte, os números recém registrados justificam uma dose de comedido otimismo.

Para começar, o crédito vem dando sinais de fôlego. A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) revela o aumento de 19% no volume liberado pelos bancos de montadoras e instituições independentes nos sete primeiros meses deste ano ante o mesmo período de 2016. Foram autorizados mais de R$ 54 bilhões, contra os R$ 43 bilhões do ano passado.

A queda dos juros e da inadimplência nesse tipo de operação contribui para a desobstrução do dinheiro, assim como a sutil melhora no cenário econômico geral. Com a inflação em baixa e o desemprego dando mostras de que pode diminuir nos próximos meses, há indícios de que o crédito prossiga a regar o mercado.

As vendas estão em aceleração, embora ainda apresentem ritmo discreto. Em setembro, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o número de automóveis e comerciais leves negociados apresentou expansão de 24,9% ante setembro de 2016, com mais de 193 mil unidades emplacadas. No acumulado do ano, registra-se alta de 7,8% nas vendas. Pondera-se que a base de comparação é muito baixa.

A indústria vem reagindo a esse avanço da demanda e, finalmente, os motores começaram a esquentar. Balanço da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), também referente a setembro, mostra que a produção nacional de automóveis subiu fortemente: 39% tendo como base igual mês do ano anterior. No acumulado de 2017, foram produzidas 27% mais unidades, com o ápice em agosto: 260,9 mil carros montados.

No cômputo geral, as exportações foram vitais para erguer o setor automotivo. As vendas para mercados internacionais assinalaram incremento de 55,7%, marcando recorde histórico. Mas o mercado interno ainda carece de resultados mais sólidos para colaborar com a retomada da atividade.

Com os indicadores em evolução, as estimativas do setor para o fechamento do ano também foram reavaliadas. Os analistas da Anfavea agora preveem elevação de 25,2% na produção, 7,3% nas vendas e 43% nas exportações, o que seria suficiente para iniciar 2018 com o mercado mais firme. Para o próximo ano, a entidade já acredita que será possível o crescimento de dois dígitos no comércio e, ademais, a produção de 3 milhões de unidades, 300 mil a mais que o projetado para 2017.

A compilação de resultados e projeções traça um horizonte alvissareiro para a indústria e as concessionárias automotivas, as quais sofreram intensamente com a tenebrosa crise.

O desempenho das montadoras funciona normalmente como um termômetro da própria economia do Brasil, indicando o comportamento da confiança do consumidor e das instituições de crédito. Se houver sustentabilidade nesse restabelecimento das energias produtivas e comerciais, o PIB poderá, enfim, sair da zona de melancolia.

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