editorial

Mais tempo nas escolas

00:00 · 13.01.2018

O Ceará desponta como um dos estados que mais celeremente vem adotando o ensino em tempo integral na educação básica pública. O número de matrículas nesse formato mais que dobrou no ano passado, conforme levantamento do Ministério da Educação. Em 2016, foram 205 mil matrículas e, em 2017, quase 450 mil, crescimento de 118%. A Secretaria da Educação do Estado (Seduc) prevê que as vagas continuarão em expansão neste ano. Garante que 40 novas escolas vão aderir à modalidade, o que deixaria o Ceará com 111 unidades.

O Censo Escolar 2017, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), informa que Fortaleza é a terceira Capital brasileira com o maior número de estudantes em tempo integral, com 56 mil matrículas. Somente Rio de Janeiro (207 mil) e São Paulo (80 mil) estão acima.

A importância dada ao ensino profissionalizante também é destaque nacional. O Ceará possui a maior rede de escolas profissionais de tempo integral do Brasil, com 117 unidades. Tais escolas aliam o conteúdo de disciplinas da base nacional com mais de 50 especialidades de ensino profissionalizante, possibilitando ao aluno chances maiores de inclusão no mercado de trabalho. A escolha dos cursos considera a vocação e as demandas inerentes a cada região.

A rápida evolução se mostra deveras auspiciosa para o futuro educacional cearense, podendo render frutos excepcionais em seu desenvolvimento socioeconômico. É recente a inclusão massiva dessa pauta nos programas políticos. Devido ao sucesso de algumas iniciativas, o assunto deverá ser uma discussão obrigatória dos postulantes nas eleições, pois os investimentos na área não podem retroceder.

O modelo de educação em tempo integral detém capacidade para transformar a vida de milhares de estudantes e famílias. A mais óbvia razão é o simples fato de o jovem passar mais tempo na escola, mantendo a mente aberta para receber volume maior de conhecimento. Ademais, abre a oportunidade de o aluno se integrar de forma estreita com a instituição de ensino, os colegas e até mesmo a comunidade.

Do ponto de vista social, os ganhos são nítidos. Em um estado que luta contra o crescimento alarmante da violência, a educação em tempo integral é uma saída inteligente. Envolver as crianças e adolescentes na ampla rede de instrução é uma forma eficaz de evitar o caminho da delinquência e da vulnerabilidade social. Afinal, é nesta fase da vida que muitos acabam sendo recrutados por grupos criminosos.

Não obstante a lista de efeitos salutares, o ensino integral não deve ser definido apenas pelo maior intervalo de tempo na grade dos estudantes. As escolas enquadradas na modalidade precisam de infraestrutura para prover o ambiente adequado ao aprendizado e à boa convivência. A prática de esportes e atividades lúdicas que estão fora do currículo ordinário também ajudam a aguçar o interesse pelo dia a dia escolar. Valorizar os professores qualificados, com remuneração digna e condições de trabalho favoráveis, é outro aspecto que não pode ser prescindido.

No discurso político, o investimento na educação é comumente apontado como mecanismo para o progresso. Contudo, dificilmente, esse preceito sai da retórica e é efetivamente aplicado. Priorizar a educação demanda grandes esforços e estes são recompensados com a formação de cidadãos conscientes e profissionais bem qualificados.

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