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Lula, virar a página

00:00 · 09.04.2018 / atualizado às 00:24

Depois de várias semanas de tensão, discussões pouco edificantes transmitidas ao vivo e declarações impróprias de alguns dos seus integrantes, o Supremo Tribunal Federal (STF) fez o que se esperava: confirmou que ninguém está acima da lei e que o combate à corrupção não admite acordões. Se a decisão da Corte fosse outra, assinaria um atestado de leniência com o crime e estaria na contramão dos valores éticos de uma sociedade cansada e decepcionada. Geraria instabilidade, acirraria o clima de radicalização, abriria de par em par as portas da impunidade para os criminosos do colarinho branco e pavimentaria uma avenida para os aventureiros que transitam nas sombras da desesperança. Além disso, o STF confrontaria o próprio Judiciário. Lula foi condenado a nove anos e meio, num primeiro julgamento, pelo juiz Sergio Moro. Foi uma sentença de 218 páginas. Foram ouvidas 91 testemunhas, das quais 73 apresentadas pela defesa. Tudo dentro da lei e das garantias devidas ao réu. A defesa de Lula apelou da sentença para TRF-4, de Porto Alegre. Ali, foi julgado por três desembargadores, condenado por 3 a 0, e sua pena foi aumentada para 12 anos. Recorreu à instância superior, o STJ de Brasília, onde seu pedido foi julgado por cinco ministros e derrotado, por 5 a 0. Voltou, enfim, ao mesmo TFR-4. Resumo da ópera: três instâncias e nove juízes se manifestaram num mesmo sentido. Este artigo foi escrito antes da prisão de Lula decretada pelo juiz Sergio Moro. Dizer que é preciso respeitar a "presunção de inocência" até "prova em contrário", como frisaram alguns ministros, é fazer piada com a inteligência do brasileiro.

Carlos Alberto Di Franco
Jornalista

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