Artigo

Insight literário

00:00 · 08.09.2018

A escrita é forte e farta, e jamais deve furtar do escritor seu mais sublime valor: o bem servir. Aos que aprimoram a arte literária, uma sugestão: ela deve omitir e esconder vaidades; e aprimorar e eternizar verdades. Que as pessoas queiram ser mais úteis do que grandes. Que silenciem seus feitos e corrijam seus defeitos. Que aprendam a louvar e agradecer, mais do que pedir sem limites. Algumas vezes precisamos nos desnudar das coisas do mundo e ingressar nos oásis de nossas almas buscando o que nos falta e semeando a raiz da alegria, que devemos plantar no nosso meio. O registro escrito pode eternizar no mármore da memória o que a audição ouve esporadicamente. Grandiosa literatura; que ela amarre em nós o amor. Decerto, que aquilo que os grandes estudiosos dos enigmas da mente aprenderam migrou muito do que outros escreveram; até mesmo, as redações que fizeram de sua pesquisa interior foram chaves preciosas de suas questões para entender seu ser. O insight literário explicita o ver dentro de si, numa reflexão, frase ou palavra; e o aceitar colocar-se no vão do aprendiz sedento de saber, que cresce a todo momento, enquanto existir. Ele melhora a compreensão. Que a escrita nos faça lembrar do que se precisa e faça esquecer o que maltrata. No processo e na relação analítica, durante a transferência, os disfarces e meandros do inconsciente são descobertos através da palavra falada; penso que eles também podem ser expostos em alguns gatilhos vindos da escrita; esse é o insight literário. Aqui, nesse texto louvo a escrita e a leitura; como preciosos alicerces para crescer e aprender a arte de viver.

Russen Moreira Conrado - Médico e psicoterapeuta

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